Transtorno do Humor e Suicídio

No blog SUICIDIO E VIDA, a Profª. Drª .Alexandrina Meleiro, deu uma entrevista ao Dr. Dráuzio Varela, sobre o tema do livro que é uma das autoras:  SUICIDIO – ESTUDOS FUNDAMENTAIS.

É um tema delicado, que poucos falam abertamente e que antigamente era visto como atitude de covardes. Atualmente, a medicina entende o suicídio de uma forma diferente, muito mais relacionado com disfunções da química cerebral do que com atos tresloucados.

Alguns trechos da entrevista da Profª Drª Alexandrina, sobre a importância da família:

 …. “Há o falso conceito de que quem fala que vai se matar, não se mata. Considerar esse aviso é fundamental, uma vez que 90% das pessoas que se suicidam, de alguma forma comunicaram essa intenção à família, a um amigo ou procuraram um médico. Em alguns casos, é claro, estão apenas querendo chamar a atenção porque se sentem desconfortáveis do ponto de vista emocional. Mesmo assim, temos que estar atentos”…

“ Em algum momento da vida, diante de uma situação difícil, as pessoas podem experimentar o desejo de morrer. A complicação começa quando o desejo de morrer está associado ao desejo de se matar. Nesse caso, a pessoa deve passar o quanto antes pela avaliação de um psiquiatra que entenda do assunto e que irá dizer se o paciente pode permanecer em casa. Se puder, os familiares têm de não só guardar as facas, mas também os remédios da vovó, cordas e lençóis. Se moram em apartamento, janelas e portas precisam ser trancadas. Esses cuidados são indispensáveis porque às vezes, numa fração de segundos, o que não se deseja acontece.
Orientar a família é importante, porque precisamos de um tempo para reverter o quadro, o que pode levar de uma a duas semanas. Muitas vezes, a internação se faz necessária, mas o paciente precisa estar sob vigilância constante, porque alguns acabam atentando contra a própria vida mesmo dentro dos hospitais, o que é mais trágico ainda. São situações delicadas, mas que trazem muita satisfação quando se consegue resgatar a pessoa e ouvi-la dizer: Puxa! Ainda bem que estou fora! “

Fonte : http://suicidioevida.blogspot.com.br/

A Profª Drª. Alexandrina Meleiro é médica psiquiatra. Por 32 anos exerceu no  Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, funções de supervisão de médicos residentes  de psiquiatria em Interconsultas Psiquiátricas nas enfermarias, UTI  e pronto socorro do Complexo do Hospital das Clínicas da FMUSP, incluindo INCOR  e Instituto de Ortopedia e Traumatologia IOT  e foi por 12 anos Chefe da Unidade de pacientes psicóticos da unidade masculina. É membro da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da ABP (Associação Bras. de Psiquiatra) e do Conselho Científico da ABRATA.

Ela fará  a PALESTRA PSICOEDUCACIONAL da ABRATA no próximo dia 16 de junho, com o tema: “Transtornos do Humor e Suicídio” . Maiores informações e inscrição obrigatória via site: www.abrata.org.br

 

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Destaques

Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA visando a melhoria no processo de seleção dos candidatos ao voluntariado e adequação às novas necessidades, temporariamente, não estará cadastrando candidatos. Em breve, abriremos o cadastro para novos interessados.

Nota da Diretoria ABRATA

Nota da Diretoria Executiva e Conselho Científico da ABRATA sobre a vacinação COVID-19 para as pessoas que apresentam diagnóstico de transtorno mental.

Comunicado da Diretoria

De acordo com as orientações do Ministério da Saúde e do Governo do Estado de São Paulo, a ABRATA continua com as atividades presenciais SUSPENSAS por TEMPO INDETERMINADO.

Campanha “Pode Contar”

A campanha "Pode Contar", é uma iniciativa do Laboratório Sanofi-Medley, com o apoio da ABRATA, que visa ajudar, com empatia, pessoas que lhe sejam próximas e colaborando para o enfrentamento da depressão. É também um canal de ajuda para quem apresenta depressão, fornecendo informações sobre os sintomas, causas, como lidar, e acima de tudo: como fazer para pedir ajuda e não se "sentir sozinho".

Campanha “Depressão Bipolar, está na hora de falar sobre isso”

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

2018-02-02T17:41:44+00:00 6 de junho de 2012|Categorias: Blog, Família, suicídio|10 Comentários

10 Comentários

  1. márcio 7 de junho de 2012 às 19:19 - Responder

    Depois de ser demitido de um trabalho, fui indiciado em comissão de sindicância, no atual trabalho, que concluiu que eu devia passar por laudo de sanidade mental. Fiquei nesta situação por 3 anos, não aceitando a conclusão da comissão, até que fui obrigado por notificação administrativa a fazer exame psiquiatrico. No exame, fui dignosticado como bipolar e colocado em licença médica.
    Hoje tomo medicação e faço psicoterapia. É certo que meus acessos de fúria passaram, parei de beber e não tenho mais problemas no trabalho. Minha mulher também afirma que eu mudei, sendo que ela me confessou que queria me internar antes do diagnóstico.
    Todavia, após o tratamento, parece que eu não tenho mais prazer na coisas como eu tinha antes. O médico me diz que é porque eu não tenho mais a euforia da bipolaridade. Isto é assim mesmo? A medicação nos deixa menos motivados e com menos prazer para viver?

    • Equipe Abrata 12 de junho de 2012 às 17:27 - Responder

      Caro Márcio
      Obrigada pelo seu contato conosco.
      O transtorno bipolar acomete cerca de 1% a 4% da população. E é caraterizado por oscilações de humor: episódios depressivos alternando com episódios de euforia (também chamada de mania ou hipomania, dependendo da intensidade e da duração). Conforme o seu relato vc buscou o tratamento correto e recebe o apoio da sua família, que é fundamental para a manutenção da sua saúde. A equipe médica da ABRATA já respondeu algumas questões acerca da medicação, por favor, leia as mensagens. Elas poderão contribuir para esclarecer as suas dúvidas.
      Se vc mora em SP, venha conhecer a Abrata e participar do Grupos de Apoio Mútuo e demais atividades.
      Abs
      Equipe ABRATA

  2. Cristina Oliveira 9 de junho de 2012 às 15:21 - Responder

    Olá Márcio, assim como você tomo medicação e faço psicoterapia, pois sou bipolar. Não sou profissional da saúde, mas acho que este espaço – o blog – permite uma troca de idéias no espaço virtual para quem não pode presencialmente participar dos Grupos de Ajuda Mútua da ABRATA. Senti exatamente esta sensação que você descreve. O que era purpurina, lindo e incrível, ficou bege e cinza de repente….. mas com o tempo fui me dando conta de algumas outras questões… o tempo bege e cinza por vezes indica uma depressão – chata demais para quem é bipolar. Acho minha psiquiatra uma alquimista que dosa uma medicação com meu tipo de pessoa, de reação e ajusta doses nas oscilações. Não é fácil nem prá mim,nem prá ela. Á terapeuta me ajuda a lidar com as alterações e com o lado bege. mas se valer um toque de quem já vivenciou isso e agora está estável – Márcio não é a vida toda bege ou cinza com medicação. Avida fica prata, dourada, incrível, mesmo com amedicação; tenho calafrios em relembrar o meu lado mágico, sulreal, incrível naquele momento, mas o desgaste, a vergonha depois do furacão… uau… to adorando o diagnótico, o tratamento e a harmonia. Tem muita felicidade nisso também!! força aí.

  3. Sueli de Souza Pinto 12 de julho de 2012 às 19:41 - Responder

    Sou bipolar a muitos anos, sofri muita violência na infância junto meus irmãos, não tivemos privação material mas nada de afeto e carinho.Meu pai viajava muito eminha mãe era tirânica e raivosa.Já faço terapia a mutos anos e consegui perdoá-la, aprendi mesmo a amá-la já que sempre a odiei e saí de casa assim que pude.Meu pai sempre foi omisso, não é de tomar atitudes ou decisões, o relacionamento dele com minha mãe sempre foi doentio, ela dominadora, até físicamente e ele passivo.Nós ficávamos à mercê de nós mesmos qdo eles brigavam e isso acontecia muito e com violência de tod ordem.Hoje, os dois estão vlhos, minha mãe tem 72 anos mas não mudu nada, até piorou, meu pai já teve dois infartos, e eles continuam se espezinhando e convivendo num enredo maluco e doentio.Sofro com isso, mas o que me ajuda também é a religião, tornei-me espírita a muitos anos e através de estudos hoje sei que não nasci deles à toa e preciso amá-los como são e ter paciência, pois tenho mais esclarecimento que eles. Estudei muito, sou professora de Ling. Portuguesa da Rede Públicado PR a 22 anos e poeta com dois livros publicados, sublimei minhas dores nos livros e na escrita. Tenho um filho, criei-o só, o pai sumiu no mundoMeu filho já tem família e me deu uma neta linda que está com 5 anos(Beatriz).Penso que minha vida vem sempre ficando melhor porque eu estou sempre me superando e crescendo e não largo a terapia. Já tive um período de uso de muitos remédios, principalmente para ansiedade, sofro de insônia crônica, mas hoje só uso Dalmadorm para dormir, nenhum outro remédio, só qdo vejo que estou indo para o fundo do poço corro no psiquiatra e peço ajuda.poso dizer que sou feliz hoje mas queria apagar as lembranças doloridas, mas elas ficam lá como cicatrizes a me lembrartudo que já sofri.

    • Equipe Abrata 18 de julho de 2012 às 15:32 - Responder

      Prezada Sueli

      Obrigada pelo seu contato com a ABRATA.
      A nossa vida nem sempre desenvolve como desejamos! E as vezes se torna muito complexa e junto a sensação de que não vamos superar as dificuldades. Mas veja, vc é uma mulher, que apesar das dificuldades enfrentadas, conseguiu muitas vitórias pessoais e profissionais em sua vida. As vitórias conquistadas em nossas vidas são as lembranças que procuramos cultivar e alimentar a alma de esperanças.
      Quanto ao transtorno bipolar o aprimoramento do diagnóstico e o aparecimento de novos medicamentos impulsionaram a pesquisa acerca da bipolaridade. Conhecer melhor o diagnóstico, as causas e o tratamento permite aos portadores a oportunidade de restaurar a sua própria vida, na família, com os amigos, no trabalho e nos estudos.
      Abraço cordial!
      Equipe Abrata.

  4. Sueli de Souza Pinto 18 de julho de 2012 às 21:26 - Responder

    Sim, de fato, construí uma vida, catando cacos, reunindo lascas, mas sei que seria diferente se minha infância fosse permeada pela proteção e o carinho, tenho uma carência enorme e uma auto-estima bastante baixa apesar de saber qe sou valiosa e competente.

  5. Nana 20 de janeiro de 2014 às 18:32 - Responder

    Eu não sei o que dizer. Acho que preciso de ajuda.

    • Equipe Abrata 23 de janeiro de 2014 às 12:23 - Responder

      Olá Nana

      Obrigada pelo seu contato com a ABRATA.

      Para algumas pessoas o diagnóstico da doença bipolar oferece uma explicação bem vinda para a forma como se têm sentido. Para outras é um golpe terrível. Muitas outras têm um misto de sentimentos. Independentemente da forma como se sente acerca do assunto, é provável que tenha uma série de dúvidas e perguntas relativamente ao diagnóstico e ao que o mesmo significará para a sua vida.

      A maioria das pessoas com doença bipolar descobre que o seu estado melhora significativamente quando iniciam um tratamento adequado. Não existe “cura” para a doença bipolar, mas um tratamento eficaz permitirá controlá-la e conduzi-la a uma vida produtiva.

      Existem quatro pontos fundamentais para o tratamento do transtorno bipolar: 1)Medicação 2)Psicoterapia 4) Grupo de apoio mútuo 4) Psicoeducação.

      A ABRATA oferece os Grupos de Apoio Mútuo e a psicoeducação. Caso resida em SP, venha conhecer e participar dessas atividades. Veja a agenda mensal no site. Segue o link: https://www.abrata.org.br/new/agenda.aspx

      Conte sempre com a ABRATA. Estamos à sua disposição. Esperamos ter lhe atendido.
      Abraço afetuoso
      Equipe ABRATA

  6. Vanessa 24 de julho de 2014 às 10:45 - Responder

    Desde pequena sofri muito, meu pai sempre traia minha mãe, e era violento com ela, e comigo, quando pequenina peguei uma DST, na praia, ou de algum fômite contaminado, fui molestada por um pedófilo qualquer, que nem sei quem é, minha avó por parte do meu pai tinha problemas mentais, como ele foi adotado, não cheguei a conhecê-la, ele teve os pés queimados no fogo antes da minha avó biológica dá-lo em adoção, é o que me contaram; aos 15 anos tive o primeiro surto de mania, de lá para cá, foi sofrimento e esforço. Graças ao bom Deus, e às pessoas que me apoiaram (Psiquiatras, psicólogos e ABRATA), hoje sou uma vitoriosa; trabalho e estudo, cuido da minha casa, da minha mãe, e das pessoas que estimo. Meu pai está bem, mas vive longe de mim, nos falamos as vezes. Não se cansem, não parem de lutar, depois de 10 anos tentando suicídio e sendo várias vezes internada, hoje minha vida é repleta de sorrisos e alegrias.

    • Equipe Abrata 27 de julho de 2014 às 19:16 - Responder

      Olá Vanessa

      Somos solidários com vc e com a sua história de vida! Mais ainda, com a superação alcançada, apesar da doença e as dificuldades que vida lhe impôs. Depoimentos como o seu são essenciais para fortalecer outras pessoas portadoras ou mesmo os familiares de um bipolar, para nunca perderem a esperança, apesar de convivência com uma doença complexa e crônica.
      Sinta-se sempre acolhida pela ABRATA!

      Grande Abraço
      Equipe ABRATA

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