O que eu gostaria que família e amigos soubessem sobre transtorno bipolar

Por ​Jess Melancholia

A menos que você tenha andado uma milha no meu lugar, não há como você entender o que é ser bipolar.

Eu não conheço ninguém com transtorno bipolar que não tenha um amigo ou membro da família que simplesmente não entende. Eles não possuem conhecimento, em geral,  sobre doenças mentais, ou acreditam que é algo que você pode “consertar”.

Para mim é mais do que frustrante; é francamente cruel. Você pensar que a sua família e amigos estariam lá para apoiá-lo. Infelizmente, você tem a confusão e apatia habituais. Ou você fica com raiva.

Aqui estão três premissas básicas que eu gostaria que eles soubessem:

Você não consegue e nunca vai entender meu transtorno bipolar.

Desculpe se isso soa áspero, mas é 100% verdade. A menos que você tenha andado uma milha no meu lugar, não há como você ser capaz de entender. Minhas depressões são tão escuras e mórbidas que me drenam toda a energia. O pensamento de tomar um banho ou mesmo apenas sair da cama é esmagador. Dependendo de quão pra baixo eu fico, honestamente penso em tirar minha vida porque não suporto continuar assim. Minhas manias são tão selvagens e imprevisíveis que a irritabilidade e insônia causam grandes problemas de saúde. Claro que é bom ter mais energia, mas não quando não consigo controlar minhas ações. Gastos excessivos e grandiosidade podem causar problemas na minha vida financeira e social.

As fases de depressão e mania bipolar são níveis muito mais extremos de emoções do que você jamais imaginou ou poderia imaginar. Acredite em mim quando digo que você não entende — não consegue entender. Então nem tente. Apenas esteja lá.

Quando estou na fase maníaca ou deprimido, esse não é o verdadeiro eu.

Tudo é amplificado quando estou no meio de um episódio, por isso é muito mais fácil dizer ou fazer coisas que eu não faria se estivesse bem. Isso não é desculpa de maneira alguma — bipolar é uma explicação, mas não uma desculpa. Estímulos externos estão atacando meus sentidos, e é difícil segurar o que sinto compelido a dizer e fazer. O fato é que o transtorno bipolar afeta minha capacidade de agir “normalmente” ao mundo ao meu redor.

A última coisa que preciso é de raiva e críticas enquanto estou tentando lidar com os meus sintomas da melhor forma que posso. Meu lema pessoal é: “Não se envergonhe de suas ações; aprenda com elas e cresça.”

Suas habilidades de enfrentamento não me “consertam”.

Embora existam muitas dicas boas para viver uma vida bem equilibrada, como fazer yoga ou comer de forma saudável, elas ajudam muito pouco ou nada quando você está no meio da depressão ou na fase maníaca. Lógica e razão saem pela janela. Acredito completamente na terapia cognitivo-comportamental (TCC) e na terapia comportamental dialética (TCD) como ferramentas úteis para ajudar a establizar o transtorno bipolar, mas isso não irá curar. Eles simplesmente não vão. Então, quando alguém diz que você só precisa fazer uma coisa (praticar a postura da árvore ou aumentar seu ômega-3) para não ficar deprimido ou maníaco, é absurdo e irresponsável. Isso perpetua o estigma de que isso é “tudo em sua cabeça” e você deve ser capaz de “simplesmente superar”.

Aqui está o ponto de partida: Meu cérebro não funciona da mesma forma que todos os outros, independentemente da opinião pública. Mas isso não significa que eu sou fraco. Na verdade, isso significa que sou muito mais forte do que você pensa. É preciso enorme coragem e força para viver a vida lutando contra o transtorno bipolar. A cada momento que continuo respirando, estou ganhando essa luta.

E eu nunca vou parar de lutar. Ter meus amigos e familiares ao meu lado me dá esperança de que posso comandar qualquer coisa que acontecer. Através de sua força, sei que tenho uma razão para continuar.

Se eles soubessem o quanto o apoio deles significa para mim.

SOBRE A AUTORA

  • ​Jess Melancholia

Jess Melancholia é uma blogueira com transtorno bipolar que mora em San Diego, Califórnia, com o marido e o gato. Durante toda a faculdade, ela lutou contra a depressão e ansiedade. Ela achava extremamente difícil equilibrar o estudo, trabalho e cantar no coral gospel da universidade. Este padrão continuou após a graduação por anos com intervalos curtos de fase maníaca espalhados entre eles. Somente quando seu pai, um veterano da marinha, foi diagnosticado com TEPT e Depressão Maior, ela avaliou sua própria saúde mental. Em maio de 2014, ela foi diagnosticada com transtorno bipolar tipo II. Ela vivenciou seu primeiro grande episódio maníaco em janeiro de 2015. Por nove meses, sua fase maníaca continuou aumentando e foi ficou despercebida e sem tratamento. Durante esse tempo, ela lutou contra a hipersexualidade. Quando sua fase maníaca diminuiu, ela caiu em uma grave depressão e se tornou suicida. Foi depois disso que ela fez terapia intensiva e começou a escrever no blog sobre suas dificuldades com o transtorno bipolar. Desde que chegou a um acordo com sua doença, ela encontrou força para cuidar de sua saúde e ser mais proativa no controle de seus gatilhos. Atualmente, através de medicação e forte sistema de apoio, trabalha incansavelmente para viver uma vida “normal” e mantém sob controle os episódios maníacos e depressivos. Seu hobby favorito é jogar videogames de terror. Sua profissão diurna é bióloga molecular em uma empresa de biotecnologia. Ela escreve para o The Huffington Post e The International Bipolar Foundation. Ela também escreve sobre sua jornada pessoal em seu blog, The Bipolar Compass.

Fonte: https://www.bphope.com/what-i-wish-family-friends-knew-about-bipolar/?fbclid=IwAR1s-nn0fjyLB0-fEXLwF7870_RkE1ManjyrESpHJFiJB-DebUgAMp6_mXI 

Acessado em 13 de junho de 2019.

Tradução: Equipe ABRATA

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2019-09-25T21:15:32+00:00 25 de setembro de 2019|Categorias: Blog|Tags: , , , |0 Comentários

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