O que é o Transtorno Bipolar em Crianças e Adolescentes


Blog do CAIC Jorge Amado Transtorno Bipolar 5_thumb[2]O Transtorno Bipolar é frequente na população?

Em adultos, o Transtorno Bipolar ocorre em cerca de 1% da população, tendo frequência igual em homens e mulheres. Em adolescentes, acredita-se que a prevalência seja semelhante. Há estudos nos Estados Unidos da América que avaliaram adolescentes, e encontraram que 1% dos adolescentes entre 14 a 18 anos tem sintomas de TB. No entanto, em crianças, não existem estudos a respeito, já que o diagnóstico, nessa faixa etária, tem sido apenas recentemente considerado. Supõe-se que na infância e adolescência seja mais frequente em meninos do que em meninas.

No Brasil, atualmente, existem cerca de 61 milhões de habitantes de 0 a 18 anos. Podemos pensar que existem, portanto, aproximadamente 610.000 crianças e adolescentes com esta doença.

Quem tem Transtorno Bipolar, tem chance de ter algum outro transtorno psiquiátrico?

Sim, a ocorrência de Transtorno Bipolar na infância e adolescência com outro transtorno psiquiátrico é mais a regra do que exceção. Isso é chamado de comorbidade, ou seja, o diagnóstico, em uma mesma pessoa, de dois ou mais transtornos.

A doença mais comumente diagnosticada, em pacientes com Transtorno Bipolar, é o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Ele ocorre em 60 a 90% dos pacientes. O TDAH se caracteriza por uma combinação de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade que causem prejuízo importante para a criança, em nível de relacionamento com crianças da mesma idade, com pais e professores. Geralmente, os sintomas de TDAH começam mais cedo do que os sintomas de Transtorno Bipolar, por volta dos três ou quatro anos.

O Transtorno Desafiador Opositivo (TDO) e o Transtorno de Conduta (TC) são outras comorbidades frequentes. O TDO se caracteriza por um padrão de sintomas de hostilidade, desobediência e oposição a figuras de autoridade, como pais e professores. No TC pode haver agressividade física, mentira frequente, destruição de propriedades alheias, briga com armas, fugas de casa, entre outros.

Além disso, principalmente em adolescentes, é comum a ocorrência de Transtornos de Ansiedade, que se caracterizam por preocupação intensa e excessiva com situações do cotidiano, associado com sintomas físicos de ansiedade (suor intenso, dor de barriga, diarreia, taquicardia) e evitação de alguma situação estressante (como ir à escola, ou encontrar um amigo).

Na adolescência, também deve ser investigado o uso de drogas, já que os pacientes podem iniciar seu uso durante as crise.

Como a doença interfere na vida da criança ou adolescente?

315

O transtorno bipolar de início na infância e adolescência, quando não tratado, causa vários prejuízos no desenvolvimento da criança. Pode alterar gravemente o relacionamento com crianças da mesma idade, devido às frequentes mudanças de humor e episódios de descontrole.

Durante os episódios depressivos, a criança costuma ficar mais isolada, perdendo o contato com colegas. O adolescente pode se envolver, com frequência, em comportamentos de risco, como atividade sexual sem proteção e dirigir intoxicado por drogas. Na escola, também podem existir dificuldades acadêmicas, pois os episódios causam uma lenhificação cognitiva e tendência à distração excessiva, com incapacidade de aprendizagem.

As complicações também podem aparecer nos membros da família, uma vez que os pais podem se sentir culpados e incapazes de entender o comportamento do filho como decorrente de uma doença. A criança e adolescente também podem ser culpados pelo seu isolamento, mau humor, dificultando ainda mais o relacionamento familiar, gerando estresse crônico e piora dos sintomas. Pode haver inclusive episódios depressivos em outros membros da família pela situação gerada pelo caos familiar. Além disso, a presença de sintomas não tratados, que causam sofrimento psicológico, costuma causar sequelas na autoestima das crianças e adolescentes, o que pode piorar o prognóstico e manejo do transtorno bipolar.

Fonte: Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares  http://www.ufrgs.br/procab/descricao.html

« Voltar

Destaques

Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA seleciona candidatos para o trabalho voluntário que estão disponíveis para doar seu talento, tempo e trabalho para a prestação do serviço voluntário ao próximo. Não há necessidade de experiência em lidar com os familiares e as pessoas com transtorno bipolar e depressão, basta apenas ter a vontade e o desejo de ajudar.

Campanha “Pode Contar”

A campanha "Pode Contar", é uma iniciativa do Laboratório Sanofi-Medley, com o apoio da ABRATA, que visa ajudar, com empatia, pessoas que lhe sejam próximas e colaborando para o enfrentamento da depressão. É também um canal de ajuda para quem apresenta depressão, fornecendo informações sobre os sintomas, causas, como lidar, e acima de tudo: como fazer para pedir ajuda e não se "sentir sozinho".

Campanha “Depressão Bipolar, está na hora de falar sobre isso”

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

2 Comentários

  1. GABRIELA 22 de agosto de 2017 às 22:20 - Responder

    A minha questão é: como lidar com uma criança TDAH e com bipolaridade aos 11 anos?

    • Equipe Abrata 14 de outubro de 2017 às 08:02 - Responder

      Cara Gabriela
      Agradecemos o contato.
      Realmente, é possível esta associação de transtornos em pré-adolescentes. Mas, é um diagnóstico que deve ser feito por especialistas por ser muito difícil.
      Uma vez diagnosticado o tratamento medicamentoso é fundamental assim, como o acompanhamento do médico psiquiatra. Não é fácil reverter o problema completamente mas, o remédio consegue fazer a criança funcionar bem melhor nos seus relacionamentos e nas suas metas.
      Juntamente com os remédios, o tratamento deve incluir também atividades de psicoterapia, tanto para o paciente como para os seus familiares. O psicólogo tem que falar com a família, não apenas com a criança. A família precisa se capacitar para lidar com a criança.
      Além da psiquiatria e da psicologia, a ação multidisciplinar para tratar a criança e adolescente com transtorno bipolar deve incluir também a pedagogia, para ajudar no desempenho escolar, quase sempre prejudicado em razão da doença.
      Lembrar que a medicação é prescrita pelo médico e não se deve alterar por conta própria.

      Abs
      Equipe ABRATA

Deixe o seu comentário Cancelar resposta