Nota de repúdio às cenas da novela “O outro lado do paraíso”, da Rede Globo, que promove o preconceito e estigma aos tratamentos psiquiátricos, aos psiquiatras e principalmente à pessoa com transtorno mental e seus familiares

Nota de repúdio às cenas da novela “O outro lado do paraíso”, da Rede Globo, que promove o preconceito e estigma aos tratamentos psiquiátricos, aos psiquiatras e principalmente à pessoa com transtorno mental e seus familiares

A ABRATA vem a público manifestar seu profundo repúdio às cenas exibidas na novela “O Outro Lado do Paraíso”, no dia 21/11/17, produzida e veiculada pela Rede Globo. Nestas, transparece uma narrativa estigmatizante e preconceituosa para com as pessoas que apresentam transtornos mentais e para com aqueles que deles cuidam e tratam. Com base no total desconhecimento e desinformação, mostram de forma desvirtuada o uso da Eletroconvulsoterapia – ECT, “procedimento médico seguro e indicado para tratamento de transtornos psiquiátricos graves que põem em risco a integridade do paciente, que não tenham respondido aos medicamentos psiquiátricos, e da Eletrocardioversão usada na cardiologia para salvar vidas,” segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria/ABP.

Apresentam o personagem protagonista supostamente com um transtorno mental grave, com atendimento psiquiátrico inadequado que contradizem todas as evidencias médicas. Mostram o hospital psiquiátrico como um hospício – como se o hospital psiquiátrico, à semelhança de qualquer instituição de saúde, não fosse um local para tratamento –   e direcionam a população brasileira para negar tratamento psiquiátrico às pessoas que realmente têm uma doença mental. Induzem ainda, as pessoas que apresentam a doença à negação do tratamento, seja medicamentoso ou buscar a internação nos momentos de crise grave.   A desassistência psiquiátrica no Brasil já é muito grande e não necessita deste desserviço em rede nacional.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. Estima-se que a prevalência global do transtorno bipolar seja entre 1 e 2%, sendo citado que podem ser tão elevados quanto 5% e, é a 6a principal causa de incapacidade em todo o mundo.

Lamentavelmente, esse cenário apresentando pela Rede Globo somente provoca mais prejuízos e desinformação à população e ainda descontrói todas as iniciativas de informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos mentais, de apoiar psicossocialmente e melhorar a qualidade de vida das pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, desenvolvidas pela ABRATA, por meio do trabalho voluntário, nestes seus 18 anos de atividades. Juntamente com as demais associações de saúde mental do país, vimos lutando bravamente para mudar o cenário em relação à saúde mental e fazer valer o que preconiza a Constituição Brasileira: “Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, gênero, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação com o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil.” (art. 30, IV)

A exibição das cenas que estimulam o preconceito agravando o estigma contra os tratamentos psiquiátricos, veiculados pela Rede Globo não condizem com as campanhas promovidas pela emissora contra a discriminação, a favor da diversidade nas suas várias formas e áreas da sociedade ecom as entrevistas com médicos psiquiatras veiculadas em seus programas semanais que visam dar informações sobre os transtornos mentais e a importância dos tratamentos.

Como representantes de mais de 6.000 associados, de pessoas com transtorno bipolar e depressão e seus familiares e mais de 3 milhões de pessoas que acessam a sua rede digital a ABRATA manifesta o seu profundo inconformismo às cenas veiculadas, que descaracterizam o tratamento psiquiátrico, o médico psiquiatra, o procedimento médico, além de prestar um desserviço à população, estimulando o preconceito e o estigma relacionados às doenças mentais e às pessoas com doença mental.

Neila Ma Melo Campos – Presidente

Maria de Fátima Moreira  – Vice-presidente

Dra. Rosilda Antonio – Presidente do Conselho Científico

Bernardete de Araujo – Vice-presidente Financeiro

Vivian Aschermann – Diretora Institucional

Ricardo Esteves – Diretor Institucional

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Destaques

Livros – Depressão Bipolar um Guia Abrangente

Os autores abordam a neurobiologia e a genética, a depressão bipolar em crianças e considerações relativas a suicídio, discutindo abordagens de tratamento específicas, desde o uso do lítio e de drogas anticonvulsivantes até intervenções psicológicas, com base nas pesquisas mais atuais sobre o assunto.

Campanha Daiichi

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA seleciona candidatos para o trabalho voluntário que estão disponíveis para doar seu talento, tempo e trabalho para a prestação do serviço voluntário ao próximo. Não há necessidade de experiência em lidar com os familiares e as pessoas com transtorno bipolar e depressão, basta apenas ter a vontade e o desejo de ajudar.

4 Comentários

  1. Elisângela Aparecida Camargo da Silva 23 de novembro de 2017 às 20:00 - Responder

    Sofro na pele o preconceito alheio, sou bipolar, e isto é o suficiente para motivos de chacota, é um transtorno grave, que causa muito sofrimento ao portador, infelizmente temos que enfrentar este tipo de reação.

    • Equipe Abrata 2 de dezembro de 2017 às 08:47 - Responder

      Prezada Elisângela e demais leitores.

      A ABRATA agradece as manifestações de solidariedade em relação à Nota de Repúdio às cenas da novela “O outro lado do paraíso”.
      A missão da associação é, dentre outras tarefas, a de lutar contra o estigma e preconceito em relação ao transtorno bipolar e
      depressão.
      Um grande abraço
      Equipe ABRATA

  2. Juliana S dos Anjos 30 de janeiro de 2018 às 02:21 - Responder

    Sofro de transtorno bipolar desde a adolescência e embora faça tratamento é muito difícil lidar com essa doença. E algumas pessoas tornam minha luta mais difícil com comentários como: você só precisa ter pensamento positivo que tudo vai melhorar. Ou: Você devia parar de tomar esses remédios, isso vicia, você não precisa disso. É muita desinformação e muito preconceito contra quem tem uma doença mental. Não escolhi ser portadora de TB. Mas estou lutando como posso para essa maldita doença não me vencer. Eu gostaria que as pessoas preconceituosas passassem pelo que um bipolar passa pelo menos por um mês para ver como elas se sairiam!

    • Equipe Abrata 30 de janeiro de 2018 às 09:06 - Responder

      Olá Juliana.

      Agradecemos a sua mensagem e reforçamos que o transtorno bipolar é realmente uma doença séria e que
      necessita de tratamento médico contínuo.
      Siga em frente com a sua luta. O preconceito e a discriminação atuam de maneira nefasta nos portadores.
      Como você mesma informa, a desinformação é que leva a criar mitos sobre os transtornos mentais.
      Boa sorte e mantenha-se firme na sua decisão de cuidar-se.
      Abs.
      Equipe ABRATA

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