Nossos jovens, o que fazer para mudar este cenário?

O adolescente de hoje carece de alguns elementos fundamentais à formação saudável. Convém verificar o que é esperado em cada momento, quais seriam potenciais desvios que exigiriam intervenções específicas e quais os atributos em cada fase. Na realidade mundial, a massa de adolescentes no planeta nasceu já no novo milênio e sob influência da nova ordem mundial (Organização das Nações Unidas, 2008). Com a chegada da internet, do ciberespaço e da consequente realidade virtual mudou definitivamente a relação entre as pessoas de todas as idades e, indiscutivelmente, a configuração mental dos nativos digitais, da chamada geração @, também conhecidos como membros da geração Z, jovens entre 13 e 18 anos.

Os adolescentes têm sensibilidade emocional exacerbada, entretanto apresentam menor capacidade no enfrentamento de conflitos, de lidar com emoções, em desenvolver um sentido de pertencimento familiar ou no grupo de iguais e alcançar um bem-estar geral de vida. Tudo isso pode levar a comportamentos de risco: consumo de álcool e outras drogas, relações sexuais não protegidas, mais acidentes, automutilação e risco de suicídio (Guerreiro; Sampaio, 2013). Os comportamentos auto agressivos na adolescência aumentaram de frequência e gravidade nos últimos anos, constituindo um desafio enfrentado no dia a dia pelos familiares, educadores e profissionais de saúde (Bridge et al, 2015; Ackerman et al, 2015).

O desenvolvimento da identidade na adolescência é o percurso de amadurecimento da vivência e da expressão da sexualidade. Ela está muito além da definição de sexo biológico e gênero, questões que já se apresentam desde a infância. O tema é ainda um grande tabu em certas famílias, comunidades e religiões. O assunto não é tratado, dúvidas e conflitos não são abordados e soluções, por vezes temerárias, são tomadas como a busca de informações na internet ou a prática sexual desprotegida. Mesmo em famílias mais abertas para diferentes conversas, o assunto é tratado com grande ressalva, e não raramente com discriminação e violência verbal e física tanto no ambiente familiar quanto no social e escolar. O receio de o jovem revelar sua orientação homossexual ocorre por culpa, vergonha e medo. O jovem sente-se responsável por uma escolha, teme decepcionar as expectativas familiares e perder o amor, o respeito e a admiração das pessoas que o cercam. Algumas vezes a ideação suicida ou a automutilação passam a fazer parte destes jovens (Bridge et al, 2015; Ackerman et al, 2015).

O risco de suicídio em adolescentes muitas vezes, não é identificado ou tratado, sendo que vários jovens que morreram por suicídio nunca haviam passado por um atendimento clínico (psiquiátrico ou psicológico). Cerca de 50% dos adolescentes morrem em sua primeira tentativa de suicídio. Existem casos de planejamento principalmente quando associados a quadros psicopatológicos bem definidos. No entanto, a maior incidência de tentativas ocorre de maneira impulsiva, sem planejamento e sem uma completa avaliação da efetividade. (King et al, 2015).

Os comportamentos auto agressivos na adolescência aumentaram de frequência e gravidade nos últimos anos, constituindo um desafio enfrentado no dia a dia pelos familiares, educadores e profissionais de saúde (Bridge  et al, 2015; Ackerman et al, 2015).

Referências

Organização das Nações Unidas, Departamento de Assuntos Sociais e Econômicos, Divisão de População. World Population Prospects: The 2008 revision. Disponível em: www.esa.un.org/unpd/wpp2008/index.htm . Acesso em: 1/10/10.

Bridge JA, Reynolds B, McBee-Strayer SM et al. Impulsive aggression, delay discounting, and adolescent suicide attempts: effects of current psychotropic medication use and family history of suicidal behavior. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2015; 25(2):114-23.

Ackerman JP, McBee-Strayer SM, Mendoza K et al. Risk-sensitive decision-making deficit in adolescent suicide attempters. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2015; 25(2):109-13.

King CA, Berona J, Czyz E et al. Identifying adolescents at highly elevated risk for suicidal behavior in the emergency department. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2015; 25(2):100-8.

Guerreiro DF, Sampaio D. Comportamentos autolesivos em adolescentes: uma revisão da literatura com foco na investigação em língua portuguesa. Rev Port Sal Pub. 2013; 31(2): 213-22.

PeNSE – IBGE, 2012; Assis SG, Gomes R, Pires TO. Adolescência, comportamento sexual e fatores de risco à saúde. Rev Saúde Pública. 2014;48(1):43-51.

Marmorstein NR, Iacono WG, Malone SM. Longitudinal associations between depression and substance dependence from adolescence through early adulthood. Drug Alcohol Depend. 2010; 107(2-3):154-60.

Marcia JE. Development and validation of ego identity status. J Pers Soc Psychol. 1966; 3(5):551-8.

Fonte: Este conteúdo foi elaborado pelo Conselho Científico da ABRATA – Gestão 2019/2021.

Presidente: Dr. Luis Felipe Costa, Vice-presidente, Dra. Alexandrina Meleiro. Membros: Dra. Aline Valente Chaves, Dra. Elisabeth Sene-Costa, Dr. Fernando Fernandes, Dra. Rosilda Antonio, Dr. Teng Chei Tung, Dr. Volnei Costa, Psic. Denise Petresco, Psic. Lucy Sposito.

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2019-09-05T12:47:56+00:00 5 de setembro de 2019|Categorias: Blog|Tags: , , |0 Comentários

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