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Temos a satisfação de informar-lhes que a partir do dia 08 de maio de 2017, segunda-feira estamos em nosso novo endereço.

Rua Dr Diogo de Faria 102, Vila Clementino
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Os atendimentos oferecidos a população serão mantidos nos mesmos horários e dias da semana.
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TRANSTORNOS DO HUMOR E CRIATIVIDADE
Marcia Britto de Macedo Soares


Muitas são as descrições sobre a relação entre os transtornos do humor (depressão e transtornos do espectro bipolar) e a criatividade, desde relatos de Platão, Sócrates e Aristóteles. Músicos, pintores, escritores, políticos, inventores, empreendedores, profissionais de diversas áreas. Exemplos emblemáticos dessa associação são Van Gogh, Sylvia Plath, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, William Faulkner, F. Scott Fitzgerald, Charles Dickens, Lord Byron, Haendel, Rachmaninoff, Tchaikowsky, Schubert, Charlie Parker, Charles Mingus, Gauguin, Munch, Pollock, Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt, entre tantos outros famosos e anônimos...

Resumindo as muitas definições de criatividade, podemos dizer que se trata da capacidade de produzir algo novo, belo em um sentido geral, original, além da capacidade de resolver problemas e estabelecer alternativas para tanto; requer iniciativa, motivação, e envolve aspectos relacionados aos afetos, componentes cognitivos, talento, fatores biológicos, fatores sociais e ambientais.

Um belo estudo sobre o tópico criatividade e transtornos de humor foi feito por Kay Jamison. Seu livro “Touched with Fire” é uma excelente obra sobre o assunto, e neste livro ela discorre sobre os aspectos históricos, as bases biológicas e psicológicas dessa associação, descreve aspectos biográficos e genealógicos de alguns artistas proeminentes (como por exemplo Lord Byron e Ernest Hemingway), a relação entre a produtividade e episódios dos transtornos do humor (bem evidenciados nos casos de Schumann e Van Gogh, entre outros).

Algumas pessoas acreditam em uma ideia “romântica” de que em episódios de depressão e de euforia a criatividade e a produção artística possam estar aumentadas. Segundo estas crenças, a depressão poderia servir como um período de “incubação”, após o qual se seguiria um período criativo, e os episódios de euforia seriam produtivamente ricos. Segundo alguns estudos, existe, de fato, entre artistas, uma maior frequência de transtornos de humor, em comparação à população geral. Há relatos de que cerca de 80% dos escritores sofram de algum tipo de transtorno de humor, entre estes 30% apresentariam algum transtorno do espectro bipolar, além de uma alta frequência de abuso de substâncias, em especial de álcool. Porém, a intensidade dos sintomas e o comprometimento intrínseco aos episódios de euforia e depressão, na verdade, reduzem a produtividade. Durante episódios de euforia e depressão, a criatividade fica nitidamente alterada. Na vigência de episódios depressivos, observamos que a lentificação cognitiva, a redução de energia, a redução na capacidade de concentração, a desatenção e a diminuição do interesse e prazer certamente interferem na produtividade. Já em episódios de euforia percebemos que a aceleração do pensamento, a agitação, a desorganização que disso decorre e a maior distração comprometem a criatividade e a produção artística.

Embora um grande número de artistas procure ajuda psiquiátrica para aliviar o sofrimento decorrente dos transtornos do humor, muitos resistem à ideia de tomar as medicações para o controle das oscilações, por temer um comprometimento da criatividade, ou interrompem seu uso por sentir falta dos “altos e baixos”, ou pela crença de que a medicação possa afetar sua produtividade, reduzir a rapidez do pensamento, o nível de entusiasmo e de energia, e a intensidade das emoções. No entanto, revisões sobre o tema apontam que o tratamento adequado possibilita a maior organização cognitiva e, portanto, a maior capacidade criativa. Um exemplo dos efeitos benéficos do tratamento sobre a capacidade produtiva foi descrito na biografia de Lowell, poeta americano do século XX, que cita que, após o tratamento com o lítio, que o estabilizou após quase 20 anos nos quais apresentou diversos episódios, seguiu-se seu maior período produtivo.

Hoje temos um corpo de evidências sobre o comprometimento cognitivo que acompanha os transtornos do humor. Sabidamente os portadores de transtornos humor, quando não tratados, podem apresentar déficits cognitivos que comprometem sua capacidade criativa.

Episódios nítidos de euforia e depressão comprometem o processo criativo, mas se descreve uma associação entre o temperamento ciclotímico e a criatividade. Por temperamento ciclotímico entendemos um padrão geneticamente herdado de oscilações entre estados depressivos e levemente eufóricos, sem preencher os critérios para o diagnóstico de episódios depressivos ou de hipomania/mania. Sugere-se que este temperamento seja um fator predispondente ao desenvolvimento de um transtorno bipolar, mas nem todos os indivíduos com temperamento ciclotímico apresentam este diagnóstico ao longo da vida. O temperamento artístico e o temperamento ciclotímico compartilham algumas características que contribuem para uma maior criatividade. Flutuações de humor em intensidade mais leve, que não comprometem as atividades cotidianas, e características como busca de novidades, intuição cognitiva, iniciativa, abertura a novas experiências, energia e acuidade de pensamento seriam aspectos comuns.

Concluindo, encontra-se uma associação entre o temperamento ciclotímico e o temperamento artístico e a criatividade. Mas, quando os sintomas atingem uma intensidade que caracteriza o diagnóstico de algum transtorno de humor, depressão ou euforia, a produtividade fica comprometida, o sofrimento afeta a qualidade de vida, além de outras consequências. O tratamento permite que os episódios sejam controlados, sem que se afete a criatividade.

Referências Bibliográficas:

Andreasen NC. www.dialogues-cns.ors DCSN#37-8
Goodwin FK, Jamison KR. Manic Depressive Illness. 2nd Edition.Oxford University Press, 2008.
Jamison KR. Touched with Fire. Free Press Paperbacks, Simon & Schuster Inc. New York, 1994.
Johnson et al. Clin Psych Rev (2012) 32 (1):1-12
Srivastava et al. Curr Psychiat Rep (2010) 12:522-530
Vellante et al. J Affect Disord (2011) 135:28-36





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