Mitos prejudicam tratamento do transtorno bipolar

Bipolar (2)

Gabriela Cupani
Folha de São Paulo

Crenças sobre o transtorno bipolar causam baixa adesão dos pacientes ao tratamento.

Há quem creia que a doença é só um problema emocional, e que remédios fazem mais mal do que bem. São mitos endossados por quase metade dos doentes e familiares, diz pesquisa do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da USP.

Foram avaliados frequentadores de encontros no instituto: 40% têm crenças errôneas sobre a natureza da doença, o papel da família e os efeitos da medicação.

A doença se caracteriza por crises de euforia e depressão. Em geral, surge na adolescência ou início da vida adulta e tem forte componente genético.

Foi uma surpresa encontrar essas crenças em pessoas que frequentam encontros psicoeducacionais“, diz Ricardo Moreno, diretor do GRUDA | Grupo de Estudos de Doenças Afetivas do IPq.

ALIANÇA TERAPÊUTICA

Moreno afirma que o controle do transtorno depende de aliança terapêutica com o paciente e parentes. “Qualquer interferência, seja da crença do paciente ou da família, pode levar à interrupção do tratamento.”

“É bem comum que o paciente abandone o tratamento por não acreditar na doença”, reforça a psiquiatra Thaís Zélia dos Santos, da Santa Casa de São Paulo.

O tratamento inclui remédios para estabilizar o humor. “O medicamento é essencial e para a vida toda. Os pacientes me perguntam se vão virar escravos. Eu digo: quem tem depressão ou mania não tem liberdade, tem um sofrimento que não controla e um comportamento que traz consequências.”

Sem tratamento, bipolares podem levar vida normal por períodos, já que a doença é cíclica. Só que vão acumulando danos nas relações.

A doença não tem cura. “Precisamos combater a ignorância, o preconceito e o estigma. Preconceito e estigma começam no próprio indivíduo e na família. Eles precisam mudar a atitude, e não esperar que o mundo se transforme“, diz Moreno.

Fonte:  FOLHA DE S. PAULO | Outubro 2010

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Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA seleciona candidatos para o trabalho voluntário que estão disponíveis para doar seu talento, tempo e trabalho para a prestação do serviço voluntário ao próximo. Não há necessidade de experiência em lidar com os familiares e as pessoas com transtorno bipolar e depressão, basta apenas ter a vontade e o desejo de ajudar.

Campanha “Pode Contar”

A campanha "Pode Contar", é uma iniciativa do Laboratório Sanofi-Medley, com o apoio da ABRATA, que visa ajudar, com empatia, pessoas que lhe sejam próximas e colaborando para o enfrentamento da depressão. É também um canal de ajuda para quem apresenta depressão, fornecendo informações sobre os sintomas, causas, como lidar, e acima de tudo: como fazer para pedir ajuda e não se "sentir sozinho".

Campanha “Depressão Bipolar, está na hora de falar sobre isso”

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

72 Comentários

  1. vera kuhnke fontolan 14 de janeiro de 2014 às 12:55 - Responder

    Sou casada com um bipolar há 38 anos, mas ele ainda não aceitou que tem o problema, vive em psiquiatra, toma todo tipo de medicação, e eu cheguei no meu limite.

    • Equipe Abrata 14 de janeiro de 2014 às 17:16 - Responder

      Olá Vera
      Benvinda a ABRATA!

      Para algumas pessoas com transtorno bipolar, reconstruir a sua vida pode constituir um desafio tão grande, assim como tratar a própria doença. Requer aprender novas competências e efetuar alterações ao seu estilo de vida, aceitar a medicação e, principalmente o diagnóstico. Nesse momento poderá surgir o autoestigma (a negação da doença em si mesmo). Para combater o autopreconceito é necessário coragem e perseverança. É essencial, vc como familiar e cuidadora, apesar das dificuldades que relata, saber que apesar da doença bipolar, o seu marido poderá se sentir mais confortável em saber que milhares de pessoas portadoras como ele, vivem vidas plenas e produtivas, desde que aceitem o tratamento. Pode nem sempre ser fácil, mas viver com a doença bipolar não significa que ele tenha de desistir das suas ambições e objetivos de vida. Ninguém que apresenta qualquer doença, seja ela o transtorno bipolar ou não, deve ser definido pela sua doença.

      Vera você como familiar e cuidadora também precisa tomar conta de si prórpia além de de zelar/cuidar de outra pessoa, caso contrário poderá se sentir oprimida e complementamente esgotada como vc mesma relata. Essa funçao de cuidadora, mesmo que seja o seu marido, pode ser muito estressante em determinados momentos. E vc também poderá correr o risco de sentir deprimida e poderá desenvolver outros problemas de saúde. Não negligencie a sua própria saúde.
      É essencial vc arranjar um tempo para fazer as coisas que lhe relaxa ou lhe dê prazer e gosta, para poder repor energia. Apesar de vc oferecer o seu apoio como esposa e cuidadora, a doença é da pessoa e é dá responsabilidade dela. Converse com ele sobre isso. Como esposa e cuidadora, você provavelmente já faz muito para ajudar, mas de fato há um limite. Não tente ser o terapeuta ou médico do portador. Busque ter expectativas realistas em relação a doença.

      Se vc reside em SP, aproveitamos a oportunidade e lhe convidamos para participar do Grupo de Apoio Mútuo para familiares|GAM. No GAM familiar vc poderá compartilhar suas experiências e também ouvir as experiências e dicas de outros familiares que convivem com a pessoa bipolar. Convide o seu marido. Há o GAM para o portador.

      Também lhe sugerimos baixar do site da ABRATA o livro “Guia para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar”. Neste livro vc encontrará informações acerca da doença, como também muitas dicas de como cuidar da pessoa bipolar e principalmente, como vc deve se cuidar.
      Segue o link: http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx
      Abraços
      Equipe ABRATA

  2. Margarida 3 de março de 2014 às 00:24 - Responder

    Olá,

    Gostei muito do vosso artigo. Fui diagnosticada com o transtorno de humor vai fazer agora um ano.O diagnóstico foi feito após um episódio de mania. Estava bem com a vida na altura, super motivada e entusiasmada pois tinha terminado a faculdade e consegui ingressar numa grande empresa na minha area de formação. Custa-me entender como foi possivel eu desenvolver este transtorno. Agora sinto-me bem e com muita vontade de voltar a fazer as coisas que fazia antes e que me deixavam feliz.
    Gostaria de saber se é possivel a pessoa durante a vida ter apenas um unico episodio de mania e nao desenvolver qualquer tipo de depressão.Isso é possivel?
    Aguardo uma resposta,Obrigada

    • Equipe Abrata 4 de março de 2014 às 22:40 - Responder

      Olá Margarida

      O transtorno bipolar pode apresentar muitas variações e até foi descrito o quadro de mania pura, no qual o portador apresentaria apenas episódios de mania (não necessariamente apenas um) – mas isso é raro. Durante a vida de uma pessoa, não é possível afirmar que ela tem mania pura, porque sempre vai haver a chance de ela apresentar um episódio depressivo. Não há garantias no curso de uma doença crônica.

      A única certeza é a de que cada paciente precisa de um acompanhamento com psiquiatra especializado nos transtornos do humor para que a melhor conduta e orientação possam ser feitas de maneira individualizada. Outra informação importante é a de que, no nível dos conhecimentos atuais, apenas o tratamento de manutenção (medicamentoso e, quando indicado, o psicoterapeutico) consegue reduzir a chance de o portador de transtorno bipolar vir a ter futuros episódios de humor.

      Abraço
      EquipeABRATA.

      • Margarida 5 de março de 2014 às 13:51 - Responder

        Olá mais uma vez

        Agradeço bastante a vossa atenção em responder a minha questão. Coloquei a questão, pois sempre fui uma pessoa muito equilibrada, auto-confiante, determinada e empenhada nas coisas que faço e fico com muito medo de voltar a passar pelo que passei, pois foi muito desagradavél e não gostaria que repetir. Passei mais de 1 mês com delírios de grandiosidade, achava que era uma mensageira de Deus que tinha de transmitir uma mensagem para as pessoas. Ouvia músicas e parecia que eram mensagens que estavam a ser transmitidas para mim.Tinha a sensasão que estava a ser perseguida por causa da tal mensagem e que pessoas más que iam me matar, enfim foi muito complicado para mim. Não me lembro de todas as coisas que fiz ou que disse, mas depois de passar o episódio de mania fiquei muito assustada porque não sabia o que estava se passando comigo e com isso acabei ficando deprimida sem vontade de fazer as minhas atividades normais( higiene, alimentação, me arrumar etc) abandonei o meu trabalho que era a minha maior conquista até então. Fui acompanhada por uma psicóloga e uma psiquiatra que me ajudaram muito a compreender as coisas e tive a minha família amigos e colegas de trabalho que me ajudaram a passar essa dificil fase. Hoje ja tenho uma percepção melhor do transtorno de humor e voltei a recuperar a minha auto-confiança e força de vontade. Espero nunca mais passar por tal coisa.

        Agradeço a vossa atenção e que Deus abençoe o vosso trabalho para que possam trazer alento para pessoas que passam por este desafio que é o transtorno de humor.

        Um muito obrigada de coração

        • Equipe Abrata 5 de março de 2014 às 16:18 - Responder

          Olá Margarida

          Não há duas pessoas com doença bipolar iguais. Cada pessoa é um indivíduo único. Cada experiência é diferente. Não pretendemos afirmar que existe uma forma certa ou uma forma errada de viver e conviver com a doença bipolar. A missão da ABRATA é de levar o apoio, a informação e a educaçao, através de conversas online com a pessoa que entra em contato conosco, proporcionar uma orientação prática que, através da experiência vivenciada, oferecer uma ajuda na vida cotidiana das pessoas com o transtorno bipolar.

          Porém, a cada dia observamos que os casos de sucessos que são relatados, por pessoas como você, são daquelas pessoas que determinam o seu próprio rumo através da doença bipolar.

          Continue se cuidando, sempre, com o acompanhamento terapêutico, consultas ao seu psiquiatra e ainda ampliando os seus conhecimentos acerca da doença, de como ela se manifesta em você e principalmente quais são os possíveis gatilhos que poderão desencadear um episódio.

          Obrigada pelas gentis palavras e conte sempre com a ABRATA.

          Grande Abraço
          Equipe ABRATA

          • Margarida 5 de março de 2014 às 18:01

            De facto é uma pena muitas pessoas não terem/procurarem esclarecimentos e não conhecerem a sua doença e acabam por cair no erro e/ou crença de associar com coisas/eventos sobrenaturais que nada tem a ver.

            No meu caso tenho tido a oportunidade de conhecer mais sobre o transtorno e a conhecer a minha relação com a doença.Espero conseguir apreender mais e conseguir encontrar um equilibrio.

            Obrigada mais uma vez 🙂

  3. Mary 8 de março de 2014 às 17:45 - Responder

    Boa tarde, tenho um irmão que leva a vida normalmente, mas, sempre percebi e outras pessoas tb alguns sintomas que talvez seja de um bipolar, ele está sempre irritado, não tem paciência com nada, pavio curto mesmo, grosseiro com as pessoas, muda de humor rapidamente, faz questão de ser desagradável, mas, é uma pessoa boa, responsável, comprometido. Minha tia um dia comentou com ele que era bom ele ir no terapeuta, só que ficou muito ofendido e desde então, ninguém fala mais nada, o que devo fazer?

    • Equipe Abrata 11 de março de 2014 às 12:52 - Responder

      Mary

      Obrigada pelo seu contato com a ABRATA.

      O estigma em relação às doenças mentais está presente em toda a sociedade, incluindo o meio familiar, porém, vale ressaltar e não podemos nos esquecer também do autoestigma, que é o preconceito do próprio paciente em relação a si mesmo e que gera negação de apoio médico, isolamento, vergonha, baixa autoestima, entre outros comportamentos. O estigma social e o autoestigma dificultam muito a vida destas pessoas com doença mental. Mas o melhor antídoto contra o estigma é o tratamento e a informação e conhecimento sobre a doença. Pesquisas mostram que os indivíduos que aderem ao tratamento têm mais chance de controlar a sua doença e de conquistar apoio social. Você pode convidar seus pais e/ou outros familiares para frequentarem as atividades da ABRATA para que eles e você possam conhecer mais sobre o TB – isso pode aproximar vocês no apoio ao seu irmão e na busca para reduzir o preconceito em relação ao tratamento médico e concomitante melhorar a convivência e, naturalmente a qualidade de vida do seu irmão e de toda a família. Há uma possibilidade dele observar que vcs estão buscando apoio para a família, dele se interessar e também participar dos grupos. Em nossa prática já vimos muitos casos assim. A pessoa nega a necessidade de apoio médico, mas a família independente dele busca mais informações e a ajuda, e mais a frente o familiar doente, também se interessa.

      Mas isso, não depende só de você e dos seus familiares. Depende do seu irmão aceitar a busca de uma apoio. Infelizmente ainda há um caminho de convencimento a tentar, que é aceitação de buscar apoio psiquiátrico, pelo seu irmão para encontar a estabilidade, relacionar-se com as pessoas e melhor qualidade de vida.

      Mary vc descreve sintomas que o seu irmão apresenta compatíveis com o transtorno do humor. Porém é essencial um diagnóstico médico para confirmar ou não e, a partir do diagnóstico clínico buscar uma conduta médica. Vc já pensou em conversar com algum amigo, ou mesmo uma pessoa da família, na qual o seu irmão considere de confiança e credibilidade para tentar dialogar com ele sobre a necessidade da ajuda médica? Além disso, procure estabelecer um diálogo sempre quando ele apresentar o humor mais estável, tranquilo e mais acessível a conversas.

      No site da ABRATA, vc poderá baixar o livro “Guia para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar”. Neste livro vc encontrará mais informações sobre a doença e principalmente muitas dicas sobre como agir em diversas situações.
      Segue o link: http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx

      Abraço,conte conosco
      Equipe ABRATA

  4. elian_especial@hotmail.com 20 de março de 2014 às 15:01 - Responder

    TENHO FILHO COM TRANSTORNO BIPOLAR DIAGNOSTICADO PELO PSQUIATRA.MAS INFELIZMENTE ELE NAO ACEITA TRATAMENTO E NEM FALAR SOBRE A DOENÇA…VIVE DANDO CRISE SEMPRE LEVADO A FORÇA PARA INTERNA-LO. NOSSA VIDA VIROU DRAMA. MUITO CHATO…

    • Equipe Abrata 22 de março de 2014 às 18:59 - Responder

      Olá Elian

      Vc está enfrentando uma situação que vivenciamos e ouvimos relatos, diariamente, nos grupos de apoio mútuos aos familiares e portdores. A negação da doença e ao tratamento pelo nosso ente querido. Saiba que essa situação, negar a doença e o tratamento infelizmente, é bem comum, qdo se trata de doenças crônicas, como é o caso do transtorno bipolar. Muitas vezes a pessoa evita o tratamento por vergonha ou vergonha ou porque ela pode acreditar que pode “sair dessa sozinha”, o que é uma decisão perigosa. Os transtornos de humor não são algo que a pessoa pode decidir que não terá, pois eles devem ser tratados. Obter ajuda é importante.

      Apesar de seu filho receber o diagnóstico de um transtorno de bipolar, isso não significa que ele não pode levar uma vida plena, produtiva e significativa. Há muitos tratamentos disponíveis hoje em dia – e muitos em desenvolvimento – que podem aliviar os sintomas de modo que favorecem a continuidade das suas atividades. O portador é a pessoa mais interessada na melhora e deve sempre se lembrar de que ele tem uma doença, mas não é um doente. Isto o torna co-responsável pelo sucesso do tratamento e estimula a participação ativa no processo terapêutico como um todo.

      Elian busque conversar com ele, nos momentos de mais tranqulidade, de forma serena, ressalte os ganhos que ele poderá ter por se cuidar e principalmente, que o fato de ter um diagnóstico de uma doença crônica, isso não que dizer que ele é uma pessoa inválida ou não amada. Porém, ele precisa fazer a parte dele, aceitar que tem um doença, que com uso correto da medicação, ele pode continuar com a sua vida. Sem a medicação, as internações poderão ocorrer com mais frequência, infelizmente. Ressalte que ele tem e sempre terá o apoio da família. Mas que ele tem que fazer a parte dele!

      Se vc reside em SP, que tal convidá-lo para participar do Grupo de Apoio Mútuo aos portadores de TB e vc participar do Grupos para familiares. São grupos constituídos por portadores de transtorno do humor e de familiares, em momentos separados, cuja finalidade é trocar experiências, compartilhar vivências, buscar soluções de forma solidária, dando apoio e conforto uns aos outros, possibilitando conhecer mais sobre a doença e princiapalmente saber que outras pessoas sentem as mesmas coisa que ele, e como elas fazem para solucionar as dificuldades. O Grupo acontece toda terça e quinta-feira na ABRATA. Entre em contato por telefone e agende para a Grupo de Acolhimento. Tel: (11) 3256-4831 de 2ª a 6ª feira das, 13h30 às17h00

      Sucesso nos diálogos com o filho!
      Abraços
      Equipe ABRATA

  5. Erceli Miguel Pinto 1 de maio de 2014 às 14:47 - Responder

    Tambem sou bipolar, com tratamento a 03 anos.

    Tomo litio e risperidona, estou feliz, pois nao tenho uma vida normal, sem crises. Apenas tenho alguns efeitos colaterais, por tomar o remédio mas que com o passar do tempo vem diminuindo bastante, pois o nosso organismo acostuma com tudo.
    Só tive duas crises antes do trantamento, por nao saber que era bipolar.

    • Equipe Abrata 3 de maio de 2014 às 13:01 - Responder

      Olá Erceli

      Depoimentos como o seu são essenciais para estimular as pessoas com transtorno bipolar a buscarem o tratamento, e assim se nutrirem de forças para resgatar os sonhos, a rotina cotidiana e tomar as “rédeas” da vida, com qualidade.

      Abraços
      Equipe ABRATA

  6. Michelle 14 de maio de 2014 às 07:30 - Responder

    Olá! Tenho um filho de 17 anos com o Transtorno Bipolar. Como outros pacientes, ele também não aceita a doença e diz que está ótimo. Pra piorar ele se afoga nas drogas e acaba tendo um comportamento totalmente sem crítica. E não para por aí…..quando entra em crise e fica fora de si, acaba fazendo coisas cujas consequências são desastrosas. E como se leva um adolescente à força para o hospital Psiquiátrico? Simplesmente não se leva. Já fomos orientados pelo próprio hospital a chamar o Samu ou a Polícia, mas de nada adianta. Existe uma lei (Eca) do Estatuto da Criança que não permite levá-lo contra a sua vontade para um hospital. E aí vem a pergunta: E se colocar sua vida em risco ou colocar a vida dos outros em risco??? E assim temos vivido. Residimos em BH e aqui não encontramos nenhum grupo de apoio. Estamos perdidos, assustados, confusos e deprimidos.
    Desculpe o desabafo.

    • Equipe Abrata 20 de maio de 2014 às 21:34 - Responder

      Prezada Michele

      Estamos pesquisando acerca da retrição do ECA, cf citado por vc como restrição a internação psiquiátrica. Porém ainda não encontramos nada conclusivo.
      Porém a recomendação para internação psiquiátrica na Cartilha de Direito de Sáude Mental, do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL/PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO, cita nas páginas 23, 24 e 25:
      Item 29. Como se dá a internação Psiquiátrica?
      Por lei, é necessária uma prescrição médica para internação psiquiátrica. Mesmo quem vai voluntariamente para um estabelecimento é avaliado para saber se é autorizado ou não a ser internado, ou seja, nenhuma internação pode ser realizada sem um laudo médico circunstanciado que
      caracterize os seus motivos.
      Item 30. Quais sÃo os tipos de internaçao?
      Há três modalidades: 1. internação voluntária: dá-se a pedido ou com o consentimento da própria pessoa com transtornos mentais; 2. internação involuntária: dá-se sem o seu consentimento, a pedido de terceiro; 3. internação compulsória: determinada pela Justiça.
      Item 31. Quando é autorizada a internação Voluntária?
      A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento, e o término dessa internação se dá por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico responsável. Uma internação voluntária pode, contudo, se transformar em involuntária e o paciente, então, não poderá sair do estabelecimento sem a prévia autorização.
      Item 32. Quando é autorizada a internação involuntária?
      Da mesma maneira, a internação involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina do Estado onde se localize o estabelecimento, mas deverá ser comunicada em um prazo de até 72 horas ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento (no caso a clínica) no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta. O término da internação involuntária se dá por uma solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.
      33. Como se dá a internação Compulsória?
      De acordo com a legislação vigente, a internação compulsória é determinada pelo juiz competente, que levará em conta o laudo médico especializado, as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.

      Quando a pessoa coloca em risco a sua vida ou a vida de terceiros, pode-se chamar o SAMU como vc mesma cita. Saiba que há também serviços particulares para este tipo de remoção. Pesquise em sua cidade. Quando o paciente dá entrada numa clínica psiquiátrica, acontece a consulta de avaliação clínica para avaliar e diagnosticar a necessidade ou não da internação psiquiátrica.

      Em BH fomos informados que o há o ENCONTROS PARA BIPOLARES promovidos pela UFMG: – Grupo de auto-ajuda a familiares e portadores de transtornos bipolar. Encontros nas 2ª feiras, das 19h às 21:30, na Faculdade de Medicina – Av. Alfredo Balena, 190 – sala 3052 – 3º andar. Verifique no Faculdade de Medicina se ainda estão acontecendo estes encontros.

      Esperamos, solidariamente, ter contribuído na busca de caminho.

      Abraços
      Equipe ABRATA

      • Ana 28 de junho de 2016 às 12:30 - Responder

        Boa tarde!

        Acredito que aqui em Belo Horizonte, não possui mais esse grupo de apoio. Liguei várias vezes e para vários lugares e as pessoas me informaram que não existe mais. Infelizmente, pois minha mãe é bipolar e estamos precisando muito de ajuda.

        Abraços.
        Ana

        • Equipe Abrata 5 de julho de 2016 às 15:46 - Responder

          Olá Ana
          Sim, o grupo de apoio da UFMS foi extinto.
          Abraços
          Equipe ABRATA

  7. João Carlos Vargas 22 de maio de 2014 às 15:56 - Responder

    Há 17 anos descobri que sou bipolar, depois de perder tudo. Até minha mãe, que sempre acreditou em mim, teve uma certa dúvida durante uma crise durante o tratamento. Mas isso é normal. Passei num concurso público, tenho emprego estável, mas deixei de beber há 11 anos quando quase morri atropelado. Uso Zyprexa, Wellbutrin e Stablon. Eutimia é muito legal. Eutímico, normal, praticamente equilibrado (mas medicado), você vai mostrar a todos que pisaram em você que é inteligente e deu a volta por cima. Não fuja do tratamento. Faça um sacrifício financeiro: vá ao médico, pelo menos uma vez a cada dois meses.

    • Equipe Abrata 25 de maio de 2014 às 19:19 - Responder

      Caro João

      A recuperação é possível, como vc relata a sua própria experiência. Buscar o tratamento adequado, ter sempre o acompanhamento médico e tomar as medicações, resultam em boa qualidade de vida pessoal, profissiona e bons relacionamentos, apesar do transtorno bipolar.

      Grande Abraço
      equiep ABRATA

  8. Marido Preocupado 8 de setembro de 2014 às 18:54 - Responder

    Olá,
    fiquei um pouco aliviado ao encontrar esta página – vi muitos locais com informações ‘técnicas’ sobre transtornos diversos, mas é raro encontrar apoio (emocional, médico e jurídico) aos parentes e amigos que buscam ajudar e tratar quem sofre de distúrbios psiquiátricos. Nós, que convivemos com estas pessoas, sofremos não só com o sofrimento delas, mas também com o desgaste de lidar com pessoas que amamos agindo de forma a nos magoar.

    Tenho esposa bipolar, que já apresentava temperamento difícil mas que só entrou em crise inegável e aceitou se tratar após se casar comigo e ter nosso filhinho. O tratamento apresentou resultados mais palpáveis após cerca de 6 semanas, e houve melhora muito significativa e estabilidade após vários meses.

    Infelizmente, por dificuldades práticas – principalmente financeiras -, o tratamento foi deixado de lado após 3 anos. Seis meses depois, nova crise – mas agora ela não aceita tratamento (acha que está bem), cortou relações com os amigos e familiares que tentaram ajudá-la, não consegue enxergar argumentos lógicos com base em fatos quando diferem da vontade dela, acha que qualquer problema é por culpa dos outros, enfim, levou nosso casamento ao limite.

    Amo minha esposa e quero honrar meus sentimentos e meus votos cuidando dela, mas é extremamente desgastante para mim. O que posso fazer por ela, já que ela não aceita se tratar, recusa a ajuda de amigos e, apesar de dizer que me ama, ameaça frequentemente ficar longe de meus cuidados? Será que preciso (e tenho o direito) de interná-la involuntariamente até que recobre a razão, de forma a consentir num tratamento depois? E ela nunca ameaçou nosso filho – no máximo, se mostrou impaciente ou rude no tratar com ele -, mas tenho medo dela querer se separar e querer cuidar da criança, sem enxergar que não tem condições nem de se cuidar sozinha, nessa situação…

    • Equipe Abrata 18 de setembro de 2014 às 13:45 - Responder

      Caro marido preocupado

      Não é fácil aceitar qualquer doença que exija um tempo prolongado de tratamento, como é o caso da hipertensão, do diabetes, das doenças cardíacas e também do transtorno bipolar. No caso do transtorno bipolar a dificuldade aumenta, porque a pessoa manifesta a doença às vezes só em algumas épocas e também às vezes nem percebe os sintomas. Isto aumenta o risco de abandono do tratamento e precipita as conseqüências citadas por vc. O portador da doença suspende a medicação por sentir-se bem e achar que pode controlar sozinho, porque lhe falta a excitação ou pelos efeitos colaterais que alguma medicação provoca.
      A sua esposa é a pessoa mais interessada na melhora e deve sempre se lembrar de que ela tem uma doença, mas não é uma doente. Isto a tornará co-responsável pelo sucesso do tratamento e estimula a participação ativa no processo terapêutico como um todo, desde terapia com o psicologo, visitas periódica ao medico e principalmente o uso continuo da medicação. Outro fato importante e extremamente importante, manter a rotina do seu sono, dormir e levantar sempre no mesmo horário. Mudanças no padrão do sono são fortes indutores de oscilações do humor e evitá-las fortalecerá seu equilíbrio.

      As dificuldades são maiores quando a pessoa com transtorno bipolar não aceita ser doente, e em caso extremos é necessário iniciar o tratamento contra a sua vontade. Com o passar do tempo, família e paciente aprendem a identificar os primeiros sinais de uma recaída, antes que ela perca o senso crítico. Isto é muito importante, porque a intervenção precoce possibilita abreviar e atenuar o novo episódio da doença. No caso da necessidade de uma internação esclarecemos que há três modalidades: 1. internação voluntária: dá-se a pedido ou com o consentimento da própria pessoa com transtornos mentais; 2. internação involuntária: dá-se sem o seu consentimento, a pedido de terceiro; 3. internação compulsória: determinada pela Justiça. Fonte: Cartilha Direito a Saúde Mental (disponível no site da ABRATA http://www.abrata.org.br).
      A internação involuntária, geralmente é solicitada por familiar, ao perceber que o seu ente querido nega o tratamento, ou pode estar colocando em risco a sua vida, ou também quando a pessoa apresenta os sintomas de um episódio em evolução, nega-se fazer uso da medicação, e que somente com o uso da medicação poderá acontecer a remissão dos sintomas. Porém, antes da internação, na própria clínica a pessoa deve passar por uma avaliação psiquiátrica para identificar a necessidade ou não de uma internação involuntária.

      Abraços
      Equipe ABRATA

      • Marido Preocupado 18 de setembro de 2014 às 16:29 - Responder

        Equipe ABRATA,
        agradeço sua resposta!

        Vou focar mais nas questões da rotina e do sono, dentro do possível.

        De iediato, a internação já não parece necessária – o pior da crise passou, e o estrago já feito feito, ainda que contido.

        Vou me empenhar em notar os sinais de nova crise, e investir novamente em tratamento voluntário assim que ela ‘normalizar’.

        Grande abraço

        • Equipe Abrata 18 de setembro de 2014 às 19:33 - Responder

          Caro marido preocupado

          Aproveitamos a oportunidade para sugerir a leitura do livro online disponível no site da ABRATA. “Guia para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar”. Além de informações acerca da doença, ele também traz dicas sobre como atuar em diversas ocasiões.
          Link http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx
          Algumas sugestões mais: Não utilizar álcool e drogas, porque estas substâncias causam desequilíbrio no funcionamento do cérebro. Freqüentemente provocam alterações do humor e do ânimo e interferem diretamente no tratamento. Evitar tomar drinques para “melhorar o ânimo” ou “ajudar no sono”, porque só podem piorar. Peça ajuda a seu terapeuta e procure grupos de apoio se não conseguir se controlar.
          Evitar o uso diário de café, drinques, alguns chás, antialérgicos, antigripais e analgésicos, que podem interferir no sono, no ânimo e nos seus medicamentos. Pode ser a “gota d’água” para o início de um novo episódio da doença. O portador do TH deve lembrar que cada novo episódio aumenta o risco de seguinte e deve continuar tomando o medicamento, mesmo que esteja bem por vários anos.
          Aproveitar o tempo de bem-estar para planejar a vida e apreender a diferenciar entre sentimentos normais e sentimentos patológicos.
          Os familiares e a pessoa com TH precisam estar atento aos sinais precoces de um novo episódio. Alterações no sono, irritabilidade, maior sensibilidade, maior atividade ou cansaço fácil, entre outros, podem ser indícios de nova fase da doença. Deve-se consultar imediatamente o médico para reduzir o grau e o tempo de sofrimento.
          Abraços
          Equipe ABRATA

  9. wagner joão carreira 16 de setembro de 2014 às 14:48 - Responder

    Tenho uma filha com diagnostico de transtorno bipolar, há 3 anos , parou faculdade várias vezes e tem tido recorrencias frequentes, está agora em crise medicada com 1200mg de lítio e abilive, 20mg e 2,5 mg de ziprexa, a 20 dias ela não dorme e não para de falar sobre casamento que não ocorreu e curso de medicina que era seu sonho , não sabemos se é melhor ir contra suas manias ou aceitar o que ela quer, grandes duvidas e muito sofrimento ela era perfeitamente normal ate pouco tempo, precisamos de mais orientação e para poder ajudá-la

    • Equipe Abrata 18 de setembro de 2014 às 21:40 - Responder

      Prezado Wagner

      É essencial vc procurar o médico da sua filha tendo em vista que a remissão dos sintomas não aconteceu apesar do uso da medicação. Quando a medicação começa fazer efeito, a pessoa se sente melhor e pode começar a omitir doses. Observe se isto não está acontecendo. Essa situação, deixar de tomar a medicação é provável que os sintomas regressem. Geralmente, ao fim de duas ou três semanas de uso da medicação, os sintomas devem começar a melhorar. Se tal não acontecer, deve-se informar ao médico.
      O apoio da psicoterapia com um psicólogo também se faz essencial neste momento. Em conjunto com a medicação, tem o objetivo de assegurar que, uma vez controlados os sintomas, a pessoa tenha a capacidade para tomar o controle da sua vida e tomar as suas atividades cotidianas.
      Aproveitamos a oportunidade para sugerir a leitura do livro online disponível no site da ABRATA. “Guia para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar”. Além de informações acerca da doença, ele também traz dicas sobre como atuar em diversas ocasiões.
      Link http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx
      Também no site vc encontrará vídeos e artigos sobre a doença.
      Quando a pessoa está doente é melhor não se comunicar com ela de modo muito emocional ou em tom elevado. Tenha em mente que a pessoa está doente e tente não reagir por impulso ao que ela possa fazer ou dizer. Dar apoio não quer dizer concordar com tudo o que a pessoa diz quando está doente. É uma decisão pessoal estabelecer limites para se proteger (e proteger sua família) de comportamentos relacionados à doença que considere inaceitáveis. Tenha em mente que não pode controlar o comportamento da sua filha, mas sim a forma como lida com isso. Tenha cuidado para não aceitar abusos verbais, emocionais ou físicos, simplesmente pq a pessoa está doente.
      Abraços
      Equipe ABRATA

  10. Madalena Maria Araujo 18 de setembro de 2014 às 22:46 - Responder

    Tenho um neto de cinco anos. Está em tratamento com neurologista e uma psiquiatra infantil que também age como uma psicóloga. Ele foi diagnosticado por conta de uma forte hereditariedade por parte de mãe que também é bipolar. O que me deixa mais aflita é que ela abriu a bipolaridade dela com 16 anos e ele com dois anos. Estou muito aflita e tem horas que realmente não sei o que fazer. Tem momentos que parece que a medicação e um copo de água é a mesma coisa. Cada dia é vivido como se não existisse um amanhã. Frequentava uma escolinha e agora não quer saber de mais nada, nem de sair na rua.

    • Equipe Abrata 24 de setembro de 2014 às 12:05 - Responder

      Prezada Madalena

      As crianças pequenas respondem, as vezes, de modo menos eficiente as medicações devido a uma imaturidade do seu sistema enzimático.
      Sugerimos que vc converse com os médico e peça uma reavaliação medicamentosa e associar uma terapia comportamental, caso não seja esta que a criança esteja frequentando.
      Sugerimos também que os pais busquem uma orientação específica para eles também seria importante e ajudaria em como lidar com a criança no dia a dia.
      A questão da escola pode estar associada a uma dificuldades dos professores em lidar com este com crianças com este diagnóstico e necessitam do apoio especializado, mais conhecimentos.

      Sugerimos um site que trata do sobre a criança bipolar, apesar de estar em inglês, vc poderá usar a ferramenta google para tradução.

      Abraços
      Equipe ABRATA

  11. Ana Rosa 4 de novembro de 2014 às 08:38 - Responder

    Meu marido tem o transtorno bipolar. Gostaria de saber se existe algum grupo de apoio a famílias em Juiz de Fora. Obrigada.

    • Equipe Abrata 5 de novembro de 2014 às 23:18 - Responder

      Olá Ana Rosa

      Lamentamos muito, mas não temos conhecimento de grupos de apoio em sua cidade.
      Abraços
      Equipe ABRATA

  12. ronilda aparecida gedes 28 de dezembro de 2014 às 02:08 - Responder

    GOSTARIA DE RECEBER INFORMAÇÃO, TENHO UMA FILHA BIPOLAR.
    ELA TEM 28 ANOS, FOI DIAGNOSTICADA COM ESSA DOENÇA HÁ 10 ANOS.
    NESTA OCASIÃO SURTOU,TOMOU REMÉDIO MUITO TEMPO…MAS , TEM US 4 AOS QUE DEIXOU DE TOMAR.
    CREIO QUE ESTA A BEIRA DE UM SURTO, POIS TOMOU SIBUTRAMINA, E TAMBÉM FEZ USO DE MACONHA..
    ESTOU MUITO PREOCUPADA..
    ESTA MUITO NERVOSA, COMIGO E COM O MARIDO, ESTAMOS DESESPERADOS.
    ME DE UMA AJUDA.

    • Equipe Abrata 7 de janeiro de 2015 às 17:58 - Responder

      Prezada Ronilda

      A situação que vc relata de fato é bem preocupante considerando que a sua filha tem o diagnóstico de transtorno bipolar, faz uso de drogas e ainda usou sibutramina. A união destes deste 03 fatores: a falta de medicação, uso de trocas e medicações sem acompanhamento médico poderá de fato provocar um episódio de mania. Mas o que fazer? É essencial que vcs procurem um psiquiatra para uma nova consulta e orientações para evitar que um episódio de mania ou depressão se instale, isso é, devem buscar a prevenção.
      Nessa situação somente o psiquiatra poderá orientar e provavelmente será necessário a retomada do uso da medicação. A falta de medicação, é um risco para o aparecimento de um episódio/crise.
      Se vc reside em SP, aproveitamos a oportunidade e lhe convidamos para participar do Grupo de Apoio Mútuo aos familiares e portadores. Eles acontecem na terça, quinta e sábado. Faça a sua inscrição, primeiro para o Grupo de Acolhimento pelo telefone (11) 3256-4831 de 2ª a 6ª feira das, 13h30 às17h.
      No site vc também poderá baixar o livro em PDF – Manual para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar. Além de informações sobre a doença e traz muitas dicas sobre como lidar com o portador em diversas situações. Link: http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx
      Retorne com a sua filha, o mais breve ao médico.

      Abraços
      Equipe ABRATA

  13. Marina Ribeiro Visconti 26 de janeiro de 2015 às 05:09 - Responder

    Tenho diagnostico de tb tipo 2. Vou regularmente ao psiquiatra e psicologo a 8 anos. Tenho crises menos intensas, mas cada vez mais frequentes (em 2014 fiquei 5 meses assintomatica). Nao consigo concluir nada. Quando empolgada consigo alavancar todos os meus projetos (trabalho, controle alimentacao e sono, exercicio fisico, manutencao de minhas relacoes interpessoais e etc.). Mas nao demora muito para me acomodar, me sentindo desmotivada, desesperancosa e preguicosa. Essa percepcao de que nao consigo persistir em nada que me proponho, vai minando meus sonhos, esperancas, desejos e alegria. Penso que nao tenho jeito. Vivo dramatizando tudo, e quando me esforco para colocar meus pes no chao percebo que nao construi nada. Isso acaba com minha autoestima! Isso e comum no quadro de tb tipo 2?

    • Equipe Abrata 23 de fevereiro de 2015 às 20:03 - Responder

      Prezada Marina

      O transtorno bipolar tipo 2 se caracteriza pela presença de episódios depressivos e pelo menos um episódio de hipomania.
      Nesta forma do transtorno, é muito comum que o portador apresente muito mais episódios de depressão do que de hipomania ao longo da vida e este fato, inclusive, é uma das razões para ele ser confundido com a depressão unipolar.
      No entanto, o tratamento visa fazer com que o paciente fique estável e não repetindo interminavelmente episódios da doença. Este é objetivo não se alcança rapidamente, requer paciência por parte do portador e do seu psiquiatra, que devem trabalhar incansavelmente e juntos para fazerem os acertos necessários no esquema de tratamento até se atingir o controle do quadro.
      Sua desesperança é compreensível, mas também pode ser um sintoma depressivo (que produz esta sensação). Recomendamos que continue conversando com seu psiquiatra e coloque esses seus sentimentos para ele, a fim de lhe dar subsídios para novas condutas que podem ser mais úteis para você.
      Aproveitamos oportunidade, caso resida em SP para lhe convidar para participar do grupo de apoio mútuo para portadores. São grupos constituídos por portadores de transtorno do humor e de familiares cuja finalidade é trocar experiências, compartilhar vivências, buscar soluções de forma solidária, dando apoio e conforto uns aos outros. Ligue e se inscreva a primeiro para o Grupo de acolhimento e depois para o grupo de apoio mútuo.Tel: (11) 3256-4831 de 2ª a 6ª feira das, 13h30 às17h.

      Um abraço,
      Equipe ABRATA

  14. Eduardo 16 de março de 2015 às 19:28 - Responder

    Tenho 36 anos e sempre me senti melancólico, com várias ideias de suicídio e algumas tentativas felizmente não concluídas. Muitas vezes me sentia bem e com vontade de abraçar o mundo e com uma alegria de viver incrível. Mas não durava muito tempo… Na verdade nem um dia… E voltava a ficar calado e no meu quarto. Abandonando meu trabalho, vida social e sempre com relações interpessoais turbulentas. Passei anos com uma tontura que não cessava e decidi pedir ajuda a família. O primeiro psiquiatra me deu o diagnostico de espectro bipolar, tomei (antidepressivo +ansiolitico) não cessaram nenhum dos sintomas. Alguns anos mais tarde, sem qualquer esperança de tudo isso passar e depois de uma crise muito forte com muita agressividade, pedi para me internarem numa clinica e passei 1 mês e meio em 2011. Saí com acompanhamento psicoterapico que ainda permaneço e as tonturas passaram e pude aos poucos ter uma qualidade de vida melhor. Para desmamar toda a medicação que foi me dada na clinica, frequentei bastante um psiquiatra e, segundo ele, não tenho nenhum problema. Passei muitos anos tomando remédios e há poucos meses não tomo nada. As mesmas sensações se intensificaram. Ando muito deprimido e sem vontade de dar un rumo na minha vida já bastante prejudicada. Tenho pensamentos negativos, meus amigos dizem que falo demais, sempre causo confusão onde estou, quase nunca tenho motivação para fazer nada e mesmo tendo uma vontade incrível de construir algo sempre paro ou largo o que começo a fazer. Me engano demais e acabo mentindo para as pessoas fingindo estar tudo bem. Percebi isso na terapia e com uma ex namorada da qual o desfecho da relação (mais uma vez) se deu pela minha falta de controle, irritação, agressividade e sem equilíbrio que ela tanto me falava. Pedi ajuda a ela e a minha família… Claro que ela se afastou e infelizmente entendo os motivos apesar de doer bastante. Minha família me apoia muito e não consigo mais vê-los preocupados comigo. Por causa desse primeiro diagnostico e de tanto procurar um meio de me sentir bem, cheguei no site de vocês e me identifiquei não só com alguns sintomas, mas com os depoimentos de vários aqui. Marquei novamente o psiquiatra que me acompanha e espero ter uma solução para esse problema. Porque vejo a vida passando e tudo fica muito confuso na minha cabeça e não sei ao certo se isso tem jeito. De qualquer forma, uso esse espaço para um desabafo e para agradecer o trabalho de vocês.

    • Equipe Abrata 23 de março de 2015 às 19:35 - Responder

      Caro Eduardo

      Desejamos que a consulta com o psiquiatra seja bem sucedida e que vc retome as “rédeas da sua vida e do tratamento”!
      Conte sempre com a ABRATA!
      Abraços
      equipe ABRATA

    • Amada de Deus 30 de março de 2015 às 09:42 - Responder

      Eduardo,

      Fui diagnosticada como bipolar e ando passando os mesmos sintomas se quiser manter contato.

    • meire luci 27 de abril de 2015 às 15:22 - Responder

      Sofro com essa doença.
      Faço pessoas sofrerem tambem.
      Essa semana vou procurar um médico e tentar voltar a fazer o controle com remedios….
      fico bem assim;sem vontade para nada.tudo o que começo não termino….

      • Equipe Abrata 4 de maio de 2015 às 23:04 - Responder

        Prezada Meire Luci

        Vc é a pessoa responsável pelo seu bem estar e cuidados com a sua saúde e qualidade de vida. A sua família, os entes queridos, poderão lhe apoiar mas, a decisão de se cuidar, tomar a medicação, ir as consultas, manter uma rotina no dia a dia, como dormir sempre no minimo 08 horas por dia, alimentar-se bem e ainda fazer uma atividade física, será somente sua.
        A depressão muitas vezes começa como uma ferida invisível, e você, como muitos outros, descobriram que ela pode levar a uma ferida visível, o corte e ao sofrimento muitas vezes solitário. Deixe-me felicitá-la pela decisão de buscar de apoios para orientação sobre o que fazer e definir que vai buscar ajuda. Combater a depressão sozinha, será em vão, não vai ajudá-la a ganhar o controle de si mesma, ao invés disso, a doença manterá o controle sobre seus pensamentos, sentimentos e ações.
        Procure o médico e faça o tratamento. Siga em frente!
        Abraços
        Equipe ABRATA

    • Beatriz 7 de julho de 2015 às 12:32 - Responder

      Bom dia, Eduardo.
      Se quiser conversar e se tiver mais contatos de pessoas que sofrem dessa doença, estou precisando de ajuda…

  15. Maria Tereza Carvalho 9 de junho de 2015 às 10:55 - Responder

    Fui diagnosticada como bipolar há cerca de 14 anos atrás e tratada com antipsicóticos. Virei um zumbi. Desmamei dos remédios 6 meses depois de ter iniciado o tratamento. A minha crise só teve aspectos positivos e mudou minha vida para muito melhor. Deixei uma série de hábitos que me prejudicavam muito. Bem verdade, deixei uma série de amigos (que estavam me enlouquecendo)e a minha carreira (que só me trouxe decepção). Se isso é prejuízo, não sei o que é ganho. A vida não é uma empresa, para ser vista em termos de prejuízo/lucro. Hoje penso que o meu diagnóstico foi equivocado, e dou graças a Deus por ter me rebelado. Mesmo que eu volte a ter uma crise, valeu este tempo que pude viver intensamente, sem antipsicóticos e sem doença mental.

    • Equipe Abrata 28 de junho de 2015 às 20:06 - Responder

      Maria Tereza

      Primeiro desejamos que esteja muito bem e segundo que atualmente as medicação para a saúde mental, após as recentes pesquisas, promovem o minimo de feitos colaterais. E tem promovido mais qualidade de vida para a pessoas que são diagnosticadas com o transtorno bipolar. É evidente, que a medicação sozinha não traz bons resultados. • É extremamente importante manter a rotina do sono, dormir e levantar sempre no mesmo horário. Mudanças no padrão do sono são fortes indutores de oscilações do humor e evitá-las fortalecerá o equilíbrio da pessoa. Não utilizar álcool e drogas, porque estas substâncias causam desequilíbrio no funcionamento do cérebro. Freqüentemente provocam alterações do humor e do ânimo e interferem diretamente no tratamento. Evitar o uso diário de café, drinques, alguns chás, antialérgicos, antigripais e analgésicos, que podem interferir no sono, no ânimo e nos seus medicamentos. Pode ser a “gota d’água” para o início de um novo episódio da doença. São as recomendações, além dos medicamentos.
      Abraços
      Equipe ABRATA

  16. Osvaldo Aires Bade 23 de agosto de 2015 às 03:55 - Responder

    Caramba, essa doença mata muito.

    • Equipe Abrata 2 de setembro de 2015 às 19:09 - Responder

      Caro Osvaldo

      Quando não há tratamento, não acontece a remissão dos sintomas da doença e infelizmente a pessoa poderá desenvolver sentimentos negativos, perder a esperança na vida e nas pessoas e decidir-se pelo suicídio.
      Pensamentos suicidas são temporários. O suicídio é permanente. Não se entregue a pensamentos suicidas, você pode superá-los.
      Seus sentimentos de desesperança não são a verdade. Quando você se sente assim? Saiba, é a sua doença falando – sua mente está mentindo para você. Lembre-se que os pensamentos suicidas não são realidade.
      Quando uma pessoa está pensando em suicídio, é importante reconhecer que esses pensamentos negativos ão expressões de uma doença clínica que tratável, apesar de ainda não haver cura. Os pensamentos não são verdadeiros e não são culpa da pessoa ou dos seus familiares. Infelizmente, as pessoas ainda deixam de procurar um tratamento psiquiátrico por medo, preconceito, vergonha ou constrangimento e evitam a busca do caminho com um médico.
      Abraços
      Equipe ABRATA

      • zilda 3 de outubro de 2015 às 22:06 - Responder

        Muito obrigada por essas palavras!
        É exatamente assim que nos sentimos no período de crise.
        Lembrar que é passageiro, e que como a equipe mencionou “è a doença falando e ela é mentirosa” é mais uma coisa para nos fortalecer, pois é muito forte, parece que não vamos suportar e que a saída mais fácil é desistir.

        • Equipe Abrata 13 de outubro de 2015 às 08:28 - Responder

          Zilda
          Conte sempre com a ABRATA.
          Abraços
          Equipe ABRATA

  17. Equipe Abrata 4 de setembro de 2015 às 16:19 - Responder

    Prezado Osvaldo,
    Complementando a resposta anterior.
    O transtorno bipolar é mesmo uma doença séria e pode trazer imensos prejuízos aos seus portadores. Aqueles que não se tratam desse problema, têm uma vida com frequentes oscilações de humor e de energia que geram uma instabilidade em todas as áreas da vida. Além das consequências das crises, existe um risco aumentado para o suicídio, que é sempre uma preocupação. Mas outro risco para a integridade física é que as pessoas com oscilações do humor são inconstantes também para se tratar de outros problemas clínicos, o que coloca mais em risco a sua saúde e expectativa de vida.
    Mas não se pode dizer que o transtorno bipolar (e também a depressão unipolar) mata. É mais preciso dizer que a chance de morrer precocemente está aumentada entre os portadores desses transtornos que não fazem adequadamente o tratamento. O que mata é a ausência de tratamento adequado, pois o tratamento altera o curso da doença, melhora o prognóstico e a expectativa de vida e ajuda a pessoa a levar uma vida mais saudável.
    É o que acontece com boa parte das doenças crônicas, quando tratadas adequada e regulamente, o indivíduo fica controlado e saudável.
    abraço,
    Equipe ABRATA

  18. João Alessandro 30 de outubro de 2015 às 22:38 - Responder

    Olá, minha esposa foi diagnosticada com transtorno bipolar, e qdo tem crise está agressiva. Gostaria de saber se a caso de internação. Estou procurando fazer com q ela tome os remedios corretamente. Estou perdido sem saber o q fazer. Ela agrediu minha mãe, que estava me ajudando muito e com isso ela não quer saber mais. A familia dela também.

    • Equipe Abrata 1 de novembro de 2015 às 18:05 - Responder

      Prezado João Alexandre!
      Como você mencionou que sua esposa já tem o diagnóstico de transtorno bipolar, sugerimos que converse com o médico dela, para que ele avalie a necessidade ou não de uma internação. É importante que sua esposa tome a medicação corretamente, e se isso não acontecer, o médico também deve saber.
      Sugerimos que você se cuide para que possa ajudá-la. Essa ajuda poderá ser de um profissional, ou de Grupos de Apoio Mútuo. Essa atividade é muito importante, porque é onde as pessoas trocam suas experiências e aprendem a encontrar novas soluções a partir do contato com quem conhece o problema.Conversar com outras pessoas, pode ajudá-lo a encontrar uma saída.
      Caso resida em SP e queira participar, é necessário agendamento, pelo telefone (11) 3256-4831, de segunda à sexta-feira das 13:30 às 17:00 horas.
      Você será muito bem vindo!
      Abraços!
      Equipe ABRATA!

  19. michel 1 de novembro de 2015 às 00:16 - Responder

    como posso fazer o tratamento

    • Equipe Abrata 1 de novembro de 2015 às 18:23 - Responder

      Prezado Michel!
      Sugerimos que procure uma ajuda profissional, que poderá ser psicológica ou psiquiátrica, para que seja avaliada a necessidade de um tratamento.
      Aproveitamos a oportunidade e o convidamos para participar dos Grupos de Apoio Mútuo, onde as pessoas trocam suas experiências e aprendem a encontrar novas soluções a partir do contato com quem tem o mesmo problema, e o conhece de perto.
      Caso queira participar, é necessário agendamento pelo telefone (11) 3256-4831, de segunda à sexta-feira das 13:30 às 17:00 horas.
      Você será muito bem vindo!
      Abraços!
      Equipe ABRATA!

  20. Ana 19 de maio de 2016 às 23:39 - Responder

    Sou portadora de transtorno bipolar, e percebo que muitas vezes o que mata mesmo é o preconceito.As pessoas em sua maioria não tem ideia do sofrimento que é,mesmo com tratamento e acham que é frescura. Falta empatia,entendimento.

    • Equipe Abrata 22 de julho de 2016 às 21:33 - Responder

      Olá Ana

      Infelizmente diariamente deparamos com diversos tipos de preconceitos. Sejam eles em relação a uma doença, a um comportamento, a raça ou etnia, a uma religião… Apesar do desenvolvimento da humanidade, dos novos conhecimentos, o preconceito ainda permanece. Diminuíram, mas ainda há muito a se fazer.
      Mas também sabemos que o processo de superação do estigma não acontece de uma hora para outra e depende da construção de novas atitudes frente à doença para que ela seja aceita.
      Para se desenvolver essa nova atitude é necessário:
      1. Em primeiro lugar, fazer o tratamento para que a pessoa que tem um transtorno bipolar tenha saúde mental e estabilidade psíquica para reconhecer suas dificuldades e aprender a lidar com elas.
      2. Participar de palestras e informar-se o mais possível sobre sua doença, pois o estigma se alimenta da ignorância, do desconhecimento.
      3. Aceitar ajuda psicológica e de outras pessoas que também sofrem do mesmo problema e já conseguiram superar suas dificuldades em grande parte. Isso é muito importante porque o isolamento favorece a baixa autoestima e a impressão de que mais ninguém no mundo tem o mesmo problema. Participar de grupos de apoio mútuo liberta do isolamento e ajuda a criar novas maneiras de enfrentar as dificuldades individuais e sociais a partir da troca de experiências e da discussão de temas comuns.
      Como você pode ver, não é uma coisa só que faz vencer o estigma, é o tipo de coisas que você deve implementar na sua vida para gerar mudanças saudáveis, que levam, por sua vez, a mudanças no seu ambiente mais próximo e, a partir daí, pode gerar mudanças no ambiente social mais amplo.
      Um abraço,
      Equipe ABRATA

  21. bipolus 13 de junho de 2016 às 15:47 - Responder

    Pois bem, então quais são os passos que o paciente deve seguir para vencer o preconceito e o estigma já que estão no próprio paciente? Qual é a melhor maneira do paciente encarar de frente sua condição de um jeito que o deixe confortável? Atenciosamente.

    • Equipe Abrata 22 de julho de 2016 às 20:35 - Responder

      Olá Bipolus

      O processo de superação do estigma não acontece de uma hora para outra e depende da construção de novas atitudes frente à doença para que ela seja aceita.
      Para se desenvolver essa nova atitude é necessário:
      1. Em primeiro lugar, fazer o tratamento para que apessoa que apresenta a doença tenha saúde mental e estabilidade psíquica para reconhecer suas dificuldades e aprender a lidar com elas.
      2. Participar de palestras e informar-se o mais possível sobre sua doença, pois o estigma se alimenta da ignorância, do desconhecimento.
      3. Aceitar ajuda psicológica e de outras pessoas que também sofrem do mesmo problema e já conseguiram superar suas dificuldades em grande parte. Isso é muito importante porque o isolamento favorece a baixa autoestima e a impressão de que mais ninguém no mundo tem o mesmo problema. Participar de grupos de apoio mútuo liberta do isolamento e ajuda a criar novas maneiras de enfrentar as dificuldades individuais e sociais a partir da troca de experiências e da discussão de temas comuns.
      Como você pode ver, não é uma coisa só que faz vencer o estigma, é o tipo de coisas que você deve implementar na sua vida para gerar mudanças saudáveis, que levam, por sua vez, a mudanças no seu ambiente mais próximo e, a partir daí, pode gerar mudanças no ambiente social mais amplo.
      Um abraço,
      Equipe ABRATA

  22. Lucilena Carvalho 1 de setembro de 2016 às 10:37 - Responder

    Bom dia. Sou irmã de uma paciente diagnosticada bipolar. Ela é adulta, mãe de dois filhos com idades de 24 e 18 anos respectivamente, separada há mais de 15 anos. Após internações em clínicas, sendo a última na Clínica Glock em São Roque, finalmente se conscientizou do uso da medicação. No entanto, a medicação traz consequências, uma delas é tremedeira das mãos e, às vezes, do corpo todo. Foi informado ao médico, que por sua vez diminuiu 1 comprimido de um dos três medicamentos que ela toma. 1 comprimido de ácido valpróico. A medicação está assim prescrita: Carbolitium 300mg 1 de manhã e 2 a noite. Acido Valpróico 150mg 2 de manhã, 2 a tarde e 2 à noite, Biperideno 2 manhã, 1 tarde. e Quetiapina 200mg 1 a noite. E esse tremor nas mãos a incomoda, especialmente quando vamos a uma festa, um encontro, às compras. Começamos a frequentar uma academia a três dias atrás. E lá o professor que nos acompanha já vem com a história de que ela tem que procurar o “eu” dela, que muitas vezes está intoxicada de remédios…. E ela ficou com isso na cabeça, dizendo que toma muito remédio. Enfim, tenho medo de que ela volte a ficar sem tomar a medicação, diz que é muito remédio. O que fazer para que ela volte novamente a confiar na prescrição médica, como abordar o assunto sem magoá-la? Ela é adulta, e ficarmos toda hora perguntando se já tomou o remédio a chateia bastante, irrita. É assim mesmo, estamos agindo certo quando controlamos os horários das medicações? Desde já agradeço a atenção.

    • Equipe Abrata 23 de fevereiro de 2017 às 10:28 - Responder

      Prezada Lucilena.
      Aqui vão algumas informações importantes para os familiares de pessoa com transtorno bipolar.

      – Tenha em mãos os contatos do psiquiatra, terapeuta do familiar portador, o seu hospital local para atendimento, e sobre os membros da família de confiança que podem ajudar em uma crise/episódio e os amigos de contato. (Incluindo os números de emergência médica, caso seja necessário)
      – Se você é ou não é uma pessoa autorizada a falar com o psiquiatra do seu ente querido, sobre o tratamento, e se isso não puder acontecer, o que fazer para receber a autorização.
      – Quais são as instruções especiais para os tratamentos e medicamentos que o seu familiar recebe, quais as dosagens, e quaisquer mudanças necessárias na dieta ou da atividade de vida diária.
      – Os familiares podem lembrar os horários dos medicamentos.
      – Quais são os sinais mais prováveis de aviso de que um episódio maníaco ou depressivo se aproxima (tais como palavras ou comportamentos), e o que você pode fazer para ajudar nestes momentos.
      – Que tipo de ajuda pode oferecer diariamente, como apoiar nas tarefas domésticas ou ajudar com as compras.
      – Peça esclarecimentos de coisas que você não entende, de forma tranquila, educada e firme para a equipe de saúde, para cuidadores. Como também escrever as coisas para se lembrar.

      Você pode, ainda, baixar gratuitamente o livro GUIA PARA CUIDADORES DE PESSOA COM TRANSTORNO BIPOLAR,
      pelo site: http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx

      Um abraço.
      Equipe ABRATA.

  23. Ana 5 de outubro de 2016 às 04:14 - Responder

    Agradeço a resposta.Vou conhecer a Abrata,preciso conversar.Curso a segunda faculdade e nem assim meus parentes acreditam q posso tirar a carteira d motorista.Parte da minha família não me vê como diferente, mas como ‘incapaz’. Tomo depakote, nao bebo há mais de cinco anos faco tratamento. Grata pela ajuda,me ajudou muito. Nao posso me sentir diminuída , só piora. Preciso ouvir pessoas que passam por isso.

    • Equipe Abrata 21 de janeiro de 2017 às 18:11 - Responder

      Querida Ana

      Conte sempre conosco!
      Grande abraço e cuide-se sempre.
      Equipe ABRATA

  24. Ronaldo bordallo 11 de novembro de 2016 às 23:11 - Responder

    Trato-me, efetivamente, há 10 anos. Estou com 57 anos. Os danos que essa doença me causou são incalculáveis. Eu perdi tudo, considerando as variáveis da vida
    . Cheguei a ser submetido a 18 cargas de eletrochoque, que pioraram ainda mais a minha doença. Entretanto, a minha pior dor mais profunda repousa no preconceito. Sinceramente, não há nada mais profundo e agressivo. Há tempos, vivo praticamente, isolado, seja para me poupar um pouco mais, seja para poupar as pessoas. É muito doloroso você constatar que está sendo tratado de forma defensiva, de for “especial” .

    • Equipe Abrata 6 de fevereiro de 2017 às 11:16 - Responder

      Prezado Ronaldo.

      Concordamos inteiramente com você. O estigma que acompanha as pessoas com transtornos mentais é muito grande e está presente
      em vários seguimentos da vida.

      Pense nessas medidas de combate ao preconceito.

      1 – Procure tratamento: às vezes é difícil admitir que estamos doentes. Não deixe que o medo de ser rotulado negativamente impeça que você procure ajuda. O tratamento pode trazer alívio ao identificar o que está errado e reduzir os sintomas;

      2 – Não se envergonhe ou se sinta inferiorizado: talvez você acredite que a sua condição seja um sinal de fraqueza pessoal ou que você deveria ser capaz de se controlar sem ajuda. Procurar ajuda psicológica, informar-se sobre a doença e conhecer outras pessoas com a mesma condição pode ajudar a recuperar a auto estima e autoconfiança;

      3 – Não se isole: sua família e amigos podem te apoiar se souberem da sua doença. Rocure as pessoas em quem você confia para o apoio emocional e compreensão que você necessita;

      4 – Você não é uma doença: em lugar de dizer “sou bipolar”, diga “tenho transtorno bipolar”. Você é muito mais que uma condição médica;

      5 – Procure um grupo de apoio emocional: alguns grupos oferecem programas presenciais e pela internet que ajudam a reduzir o preconceito através da educação do paciente, sua família e o público em geral;

      6 – Manifeste-se contra o estigma através da expressão da sua opinião em eventos públicos ou através da internet. Além de informar o público sobre as doenças mentais, você pode encorajar outros que estejam atravessando desafios semelhantes.

      O julgamento das pessoas está mais ligado a uma falta de compreensão do que falta de informação baseada em fatos. Aprender a aceitar sua condição e reconhecer o que é necessário fazer para tratá-la, procurando ajuda e oferecendo informação aos outros pode fazer uma grande diferença.

      Um grande abraço.
      Equipe ABRATA.

  25. Paulo 12 de dezembro de 2016 às 00:48 - Responder

    Olá. Sou bipolar e sofro com essa praga faz anos. Há muito tempo não sei o que é uma vida normal.
    Agora meu psiquiatra diz que faço parte dos 20% que reagem mal à medicação.
    O que há de novo sobre o tratamento?
    Já tive todas as fases da doença.

    • Equipe Abrata 28 de janeiro de 2017 às 19:01 - Responder

      Prezado Paulo

      Desculpe-nos pela demora da resposta a sua mensagem. Passamo po um período sem voluntários para esta atividade.
      Como todo portador de transtorno bipolar, com evolução de anos de doença é natural que você já tenha tido todas as fases. O interessante é conseguir o controle da doença de maneira que as fases possam ser espaçadas o maior tempo possível. Para isto sugerimos que você, como portador da doença, possa assistir às palestras disponíveis no site da ABRATA. Link: https://www.youtube.com/user/abrataorg
      Nelas você irá aprender como lidar com diferentes situações de vida que possam estar favorecendo novas crises. Além de seu médico adequar a melhor medicação para sua pessoa. Tudo depende de como tem evoluído sua doença. Se há predomínio de crises de euforia, de depressão, ou de estado misto.
      Medicação nova nem sempre tem resultado melhor do que as já consagradas por anos. Um bom estabiliza dor como carbonato de lítio ou divalproato de sódio são os que melhores controlam todas as fases do bipolar. Pode ser necessário associar um antipsicótico ou um antidepressivo, conforme seu estado de humor na atualidade. Também é fundamental você estar atento se não há fatores que agravam o transtorno bipolar como abuso de álcool, cafeína, energético e outras drogas psicoativas. Se for o seu caso deve procurar ajuda com seu médico para ficar livre destes abusos. Verificar relacionamentos familiar e amoroso se tiver situações conflitantes que necessitam serem melhorados. Tudo isto pode dificultar o equilíbrio da pessoa com transtorno bipolar. Os estudos novos têm apontado que além das medicações maior importância para o ajuste no trabalho e ambiente familiar. Não fique desanimado. Tem períodos difíceis, mas o controle pode estar perto.
      Um abraço,
      Equipe ABRATA

  26. Fran 29 de janeiro de 2017 às 06:18 - Responder

    Olá, é complicado falar a respeito. Passei por três cursos de universidade, acabei me formando só em 2015, aos 34 anos. Passei por vários empregos e não me mantenho em nenhum. Agora faço uma especialização em minha área, Letras. Mas busco o mestrado. Me sinto incapaz. E percebo nos olhos de alguns reprovação e de meus pais e irmã, pena. Já me machuquei, já tentei machucar outras pessoas, mas o que mais me intriga é que mesmo medicada e frequentando uma das melhores e mais atualizadas psiquiatras no assunto estou dias no fundo do poço, dias alcançando o céu. Não tenho ânimo para exercícios, como me foi recomendado. Depois da medicação aumentei 20kg. Me sinto perdida e sem vontade de continuar a medicação: 1000mg de Torval CR, 100mg de Lamitor, 25mg de Socian, 100mg de Topamax, mais Rivotril para dormir. Diagnosticada como TAb e TPB.

    • Equipe Abrata 5 de fevereiro de 2017 às 09:34 - Responder

      Prezada Fran.

      Converse com o seu médico spbre os esfeitos colaterais da sua medicação.Somente o seu médico poderá modifica-la.
      Converse com o profissional que a acompanha, existem outros medicamentos. Lembre-se, entretanto, que os sintomas do transtorno do humor podem ser controlados com o devido tratamento medicamentoso.
      Por outro lado, você pode, também, fazer psicoterapia, a qual tem sido um auxiliar muito positivo para a pessoas que sofrem
      com os transtornos em geral.
      E nossos parabéns a você pela bela carreira.
      Não desista do tratamento, você ficará estabilizada com o passar do tempo e pode colher os frutos que semeou durante a sua vida.
      Tenha esperança, sempre.

      Um abração.
      Equipe ABRATA.

  27. mauricio 19 de fevereiro de 2017 às 14:46 - Responder

    …..PERDI MUITO COM ESSA DOENÇA , MAS CONTINUO LUTANDO …SOU PORTADOR DE BIPOLARIDADE DESTE OS 18 ANOS , ME CASEI COM UMA FARMACÊUTICA AOS 34 ANOS, TENHO UMA FILHA QUE ESTÁ ESTUDANDO PARA FAZER MEDICINA …..AOS 18 ANOS FUI PARAR EM UMA SOLITÁRIA DE UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO…..COMO QUALQUER MARGINAL ……OLHANDO PARA TRÁS ME VEJO UM VENCEDOR ….POR FIM …. NÃO BASTA SÓ REMÉDIOS , SE O AMBIENTE ONDE VIVE FOR DOENTE …MUITO REMÉDIO ACABA COM SUA VIDA , POUCO TAMBÉM . ….GOSTARIA DE SABER SE UM PACIENTE MAL DIAGNOSTICADO…SEM TER A DOENÇA , MAS TOMANDO A MEDICAÇÃO PODE PASSAR A SER UM BIPOLAR..?? OBRIGADO…

    • Equipe Abrata 6 de março de 2017 às 08:07 - Responder

      Prezado Maurício.

      Você é um excelente exemplo de alguém que vem superando o transtorno bipolar através do tratamento prescrito por psiquiatra.
      É importante conhecer a doença. Leia estas informações:

      O Transtorno bipolar é manifestado por fatores genéticos e ambientais.
      O transtorno bipolar (TB) é uma doença para toda a vida. Não tem cura, mas pode ser controlado e sua manifestação está ligada a fatores ambientais e genéticos. Em boa parte dos casos, trata-se também de um problema que se herda dos pais. É o que explica o psiquiatra Ricardo Alberto Moreno, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e diretor presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

      O especialista afirma que o problema se caracteriza pela alternância, ao longo da vida, de momentos de depressão e euforia (ou mania), que podem ser leves, moderados ou graves. “O transtorno bipolar é mais frequente dos 18 aos 25 anos. Basicamente, é uma doença de adolescentes e adultos jovens. Filhos de pais com TB têm risco de 33% de ter a doença. Mesmo se não a apresentarem, carregam os genes. E se pai e mãe tiverem, a chance é maior ainda”, completa.

      De acordo com Moreno, o transtorno bipolar atinge o corpo e a mente, causando prejuízos para as atividades intelectuais, o trabalho, os relacionamentos interpessoais e, em casos mais graves, até para os cuidados vitais, como higiene, alimentação e sono.

      Esses problemas, segundo a ABTB, são vivenciados por algo entre 1,8 e 15 milhões de pessoas no Brasil. “O TB tem duas formas clínicas: o tipo 1, conhecido há mais de 3000 anos, no qual há mania e depressão, tem incidência de 1% a 1,5%. E o tipo 2, com mais depressão e hipomania, uma euforia mais leve, ocorre com 2,6% a 8% dos pacientes”, observa o psiquiatra.

      Transtorno bipolar costuma ser confundido com outros problemas psicológicos.

      O diagnóstico do transtorno bipolar é difícil. Moreno explica que, muitas vezes, pode ser confundido com um caso de depressão. Ou considera-se que o comportamento diferente da pessoa tem a ver personalidade dela. Mesmo que haja consequências como períodos de muito negativismo e melancolia, causados pela depressão, ou de empolgação fora do normal -com um “turbilhão de ideias” na cabeça-, caso da euforia.

      Portanto, é preciso achar um profissional realmente especializado e que faça uma investigação a fundo sobre a presença da doença que, segundo o psiquiatra, em estágios graves, pode levar até a comportamentos psicóticos. “Outra característica é a incapacidade de avaliar o potencial de risco de determinadas atividades. Os pacientes se expõem demais, falam impulsivamente sem pensar, gastam muito dinheiro, tendo ou não. Tudo isso traz consequências desastrosas para a vida deles”, observa o especialista.

      O especialista mais adequado para identificar a presença do transtorno bipolar é o psiquiatra, que se baseia nos sintomas e no histórico de vida da pessoa. “Não existem exames para fazer o diagnóstico, mas as pesquisas continuam e, talvez, daqui a alguns anos, já se identifique o problema com mais precisão. Ou, melhor ainda, que seja possível saber quais são as pessoas de risco para apresentar a doença”, completa Moreno.

      Tratamento para transtorno bipolar é com medicamentos e terapia psicológica.

      O principal método de tratamento para a manutenção de um quadro saudável e evitar recaídas do transtorno bipolar, explica o psiquiatra, são medicamentos chamados estabilizadores de humor. Os cuidados psicológicos têm papel secundário e também devem incluir a família. De acordo com a ABTB, o tratamento adequado reduz a incapacitação e a mortalidade dos pacientes, que é alta. Muitos tentam, inclusive, o suicídio. Em alguns casos, também são necessários remédios antidepressivos e antipsicóticos.

      “A pessoa precisa saber que tem uma doença, assim como o diabético, o hipertenso ou o cardíaco. E que deve fazer mudanças no estilo de vida, como, por exemplo: ter padrão regular para dormir (privação de sono é grave no transtorno bipolar) e evitar substâncias com ação no cérebro, como cafeína em excesso, álcool, drogas etc. Além de atenção com questões relacionadas ao bom senso, como atividades físicas, trabalho, lazer e descanso”, orienta Moreno.

      O especialista ainda aponta duas questões relacionadas à prevenção do transtorno bipolar: é preciso identificar os doentes para evitar recaídas e, principalmente, ter atenção com os filhos de pacientes de TB, que têm maiores chances de desenvolver a doença. “O importante é a detecção precoce dessas pessoas de risco e, a partir da análise psicológica, avaliar se algum tratamento é necessário antes de a doença se manifestar na vida delas”, conclui o psiquiatra.

      Assim, ou a pessoa tem transtorno bipolar ou não tem. Ninguém adquire a doença por medicação, contágio, etc.
      A pessoa nasce com a predisposição a manifestar o transtorno e, dependendo de fatores ambientais, poderá desenvolvê-la.

      Abraço.
      Equipe ABRATA.

  28. Wiviane das Graças de Mello 22 de março de 2017 às 00:14 - Responder

    Boa noite, meu filho tem 13 anos, foi diagnosticado com transtorno bipolar, mas não aceita que tem esse transtorno, embora não faça objeção para tomar os remédios. Às vezes não o entendo mesmo medicado, ele nos agride e não podemos contrariá-lo.

    • Equipe Abrata 22 de março de 2017 às 08:15 - Responder

      Prezada Wiviane.

      As características do transtorno bipolar nas crianças e adolescentes são irritabilidade, ciclagem rápida, baixa recuperação entre os episódios, altas taxas de comorbidades com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e com Transtorno Opositor Desafiante (TOD). O quadro com início na adolescência apresenta altas taxas de abuso de substância, sintomas de ansiedade e psicose. Características comuns nas duas apresentações são humor exaltado, episódios mistos, longa duração dos episódios e baixa recuperação e altas taxas de recaídas.

      O tratamento farmacológico deverá ser iniciado após cuidadosa avaliação clínica e laboratorial, sendo monitoradas as funções hematológica, hepática, tireoidiana, renal, metabólica, e eletrocardiográfica. Utilizam-se os mesmos medicamentos prescritos para o adulto. Deve-se lembrar, também, que é desaconselhável o uso isolado de antidepressivo em crianças com histórico familiar de transtorno afetivo ou na presença de qualquer dos fatores de risco citados anteriormente; aconselha-se associá-lo a um EH5.

      Uma estratégia importante é a abordagem psicoeducacional focando a melhora da comunicação e gerando estratégias de resolução de problemas sociais, levando a maior conhecimento dos pais sobre os problemas dos filhos e melhorando a interação e o apoio familiar.
      Recomenda-se, também, entrar em contato com associações locais dedicadas a oferecer apoio e informação sobre TB e, assim, aprender tudo o que puder sobre a enfermidade bipolar. Essas informações podem ajudar o reconhecimento precoce dos sintomas iniciais, levando ao melhor manejo das recaídas e rápida intervenção terapêutica. Os pais e/ou cuidadores devem lembrar que nem todas as medicações funcionam em todas as crianças, sendo necessárias várias semanas de tratamento para ajuste dos medicamentos e das posologias, até encontrarem o melhor esquema terapêutico.

      Conjuntamente com o seguimento farmacológico, crianças e adolescentes com TB devem ser acompanhados em psicoterapia, preferencialmente do tipo cognitivo comportamental. Embora sejam raros, os pacientes podem se beneficiar de grupos de apoio.

      A criança com TB necessita de um programa de inclusão escolar, principalmente durante o período de crises. O próprio transtorno e a medicação utilizada podem afetar o desempenho escolar devido à sonolência, à diminuição da atenção, da concentração e da memória. Os pais e os profissionais da escola devem se unir para avaliar as necessidades educacionais dessas crianças, planejando uma abordagem educacional que atenda suas necessidades escolares. Esse planejamento deve incluir adaptações para épocas em que a criança esteja no período inter-crises e nos casos de intensificação do seu quadro clínico.

      Para conhecer mais sobre o transtorno bipolar na adolescência, leia os artigos publicados no site e blog da ABRATA.
      Pergunte ao médico de seu filho sobre os livros mais indicados para a família de adolescentes com transtorno bipolar.

      Um abraço.
      Equipe ABRATA.

  29. Renato P 28 de junho de 2017 às 08:14 - Responder

    Tenho problemas com depressão , tenho TOC também e apresento também impulsividade com relação a sexo e jogo ..tenho isto desde a adolescencia e hoje tenho 35 anos. Fui ao psiquiatra várias vezes. O diagnóstico oscila entre bipolar e transtorno de personalidade. Tomo os medicamentos, dou uma melhorada daí paro e quando menos percebo retorno ao que estava antes. Há 3 anos comecei a usar cocaína. E isto está acabando com a minha saúde porém quando tento parar, ficar vários meses sem,a tristeza fica insuportável e preciso ter um pouco de prazer para sair disso. Depois me sinto culpado pelos comportamentos e uso de drogas. Será que tem jeito de tratar sem usar medicamentos , será que se fizer só a psicoterapia vai ajudar a controlar as minhas emoções e comportamentos ?

    • Equipe Abrata 14 de julho de 2017 às 06:12 - Responder

      Prezado Renato P

      De modo geral, os transtornos psiquiátricos exigem tratamento medicamentoso contínuo. E quando falamos em frequência e
      continuidade, é no sentido literal. Não se deve parar o uso da medicação por conta própria.O psiquiatra deve ser sempre
      consultado. Quando se interrompe o tratamento, os sintomas retornam com maior intensidade.
      As pessoas portadoras do transtorno bipolar podem levar uma vida saudável e produtiva se a doença for eficazmente tratada.
      Sem tratamento, porém, a evolução natural do transtorno bipolar tende a se agravar. Com o tempo a pessoa pode ter episódios
      maníacos e depressivos mais freqüentes (de ciclos mais rápidos) e mais graves que aqueles apresentados ao início da doença.
      Em muitos casos, porém, o tratamento apropriado pode reduzir a frequência e a gravidade dos episódios e pode ajudar as pessoas
      com transtorno bipolar a manter uma boa qualidade de vida.
      A leia o que diz o médico psiquiatra Dr. Teng Chei Tung:
      Bipolar: bebidas, drogas e sexo irresponsável, uma opinião de especialista.

      O transtorno bipolar do humor (TBH) é uma doença complexa, com múltiplas funções psíquicas e físicas que ficam instáveis, prejudicando os pacientes e suas famílias tanto nos aspectos de saúde, como na adaptação profissional e social, podendo até matar por suicídio, acidentes e má saúde geral. Não é representado apenas por mudanças de humor, como alegrias e tristezas exageradas, afetam também o ritmo biológico (sono), o metabolismo (mudanças no apetite), a energia física (cansaço ou hiperatividade), ou mesmo a capacidade de pensar. Entretanto, uma das características mais comuns do TBH e que causam os maiores prejuízos é a impulsividade, na forma de atitudes impensadas e comportamentos descontrolados, muitas vezes relacionadas com prazer, como comida, compras, sexo e drogas.

      Os pacientes não conseguem se controlar, portanto não têm culpa de serem impulsivos, a culpa é da doença, mas as conseqüências são terríveis, desde a vergonha de ser promíscuo sexualmente e pegar uma doença, ou de ser compulsivo por comida ou compras, ou na pior das situações, entrar nos vícios das drogas como o álcool, maconha, cocaína e outros. O curioso é que a impulsividade varia de paciente para paciente, alguns tem excessos em tudo, outros em apenas uma esfera (por exemplo, só se descontrolam nas compras). O descontrole na sexualidade não é tão comum, e nem sempre o excesso de sexualidade se traduz em promiscuidade, alguns pacientes ou se masturbam com freqüência, ou procuram pornografia, ou procuram o seu parceiro várias vezes ao dia. Os excessos sexuais e os excessos nas compras geralmente melhoram bem e rápido com as medicações, o mesmo não ocorrendo com as drogas e o álcool. Por serem drogas, eles acabam criando um segundo problema, a dependência, que precisará de um tratamento específico e mais complicado. Cerca de 60% dos pacientes bipolares passam por problemas com drogas.

      E o que os familiares, amigos e colegas costumam fazer diante de um paciente impulsivo? Aconselhar, o que quase sempre não dá certo, e depois criticar, como se a falta de controle fosse uma responsabilidade do paciente. Neste caso, o mais importante seria tentar ajudar o paciente a aceitar ajuda profissional adequada, desmistificando a doença mental como algo vergonhoso e estigmatizante, e ajudá-lo a continuar no tratamento, que é muito difícil e longo, com muitas tentativas, trocas de medicações e recaídas. Um ponto importantíssimo em relação ao tratamento: as medicações são a forma mais poderosa, eficaz e segura de controlar o TBH. Tratamentos alternativos e religiosidade podem ajudar, mas nunca substituem um tratamento cientificamente comprovado.

      Dr Teng Chei Tung, também é autor do livro Enigma Bipolar, consequências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar, da MG Editores.

      Um abraço
      Equipe ABRATA

  30. Juliana 31 de outubro de 2017 às 12:25 - Responder

    Meu filho tem 22 anos e foi diagnosticado com transtorno bipolar. Ele está tomando risperidona e carbamazepina há três meses. A medicação acarretou a disfunção erétil e ele está com depressão por causa disso e não quer mais tomar a medicação. Não sei de que maneira lidar com essa recusa dele, porque sei que, apesar dos efeitos colaterais, com a medicação ele estava obtendo resultados.

    • Equipe Abrata 6 de novembro de 2017 às 08:46 - Responder

      Prezada Juliana.
      A disfunção erétil pode ser um sintoma de algum transtorno ou doença, ou efeito colateral de diversos medicamentos, não somente aqueles utilizados no tratamento do transtorno bipolar. Um homem com transtorno bipolar que esteja na fase depressiva pode ter diminuição da libido e disfunção erétil em função da depressão e não do medicamento. Mas é fato que dentre os efeitos colaterais dos medicamentos que seu filho está tomando, esse efeito colateral é possível. Nesta situação, o mais recomendável é conversar com o seu filho e orientá-lo a contar o que está acontecendo ao psiquiatra que acompanha o caso para que o profissional possa avaliar se é mesmo efeito colateral e fazer as mudanças necessárias no esquema de tratamento, se for esse o caso. Mas é muito importante que seu filho não interrompa o tratamento antes de conversar com o médico, para não comprometer os benefícios que os medicamentos já proporcionaram. Quando o paciente para de tomar os remédios, a chance de haver uma recaída é muito alta e pode demorar a se conseguir a mesma resposta positiva após essa recaída.

      Um abraço,
      Equipe ABRATA

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