Cuidando do Cuidador (familiar)

As dificuldades e estresse de lidar com pacientes com transtornos psiquiátricos podem ser tantas que, muitas vezes, existe o risco do cuidador se deixar envolver e adoecer no processo é grande.   O psiquiatra Victor Pablo  falou sobre a importância de “cuidar do cuidador”.

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O núcleo familiar pode ser considerado um organismo que se organiza conforme as características dos seus indivíduos e pelas relações de afeto, repulsa, desejo e poder. Alterações drásticas dentro do núcleo tendem a desestruturá-lo, num primeiro momento, mas são seguidas por esforço para a sua reorganização.

Nos transtornos do desenvolvimento, como o autismo e o retardo mental, a relação familiar já parte de um princípio de cuidado e prevenção de danos desde a primeira infância, o que pode tornar o convívio menos desgastante. Porém, as grandes síndromes psiquiátricas e transtornos de dependência química afetam o indivíduo no início da vida adulta ou durante a terceira idade, o que frustra as expectativas da família em relação ao indivíduo, decorrente de sua perda de autonomia e sua inesperada dependência de cuidados específicos. Na evolução natural da crise para a fase crônica, um elemento familiar espontaneamente ocupa o papel de cuidador, muitas vezes a mãe, a filha, a esposa ou a secretária doméstica.

Perguntas, constatações e exclamações surgem com este problema: “Ele nunca mais voltará ao normal?”; “Estou no meu limite, vou enfartar!”; “Onde eu errei na educação desse moço?”; “Não sabia que era uma doença, por isso se agravou.”; “É culpa minha sim!”; “Ele não aceita o tratamento e não percebe que tem uma alteração mental. O que fazer?”; “Transtorno mental é para a vida toda?”; “Como cuidar também de mim?”; “Ele nunca se responsabiliza por si”; “Estou sozinha pra cuidar dele”; “Ele sempre vai ter mais crises?” – Mas, quais destas questões são justas com o cuidador? É preciso ter a real noção das causas e características do transtorno mental que acomete o paciente, para que o cuidador não se sinta culpado ou mesmo responsável por ele.

CUIDANDO DE SI

Por mais amor que tenhamos pelo ente adoecido existe um limite para exaustão relacionada ao ato de cuidá-lo.  Entre os indicadores de que o cuidador chegou ao seu limite no manejo do paciente estão: a fadiga fácil, a diminuição da habitual capacidade de relaxar ou sentir prazer, insônia, queda da produtividade profissional, isolamento social, sintomas dolorosos, desenvolvimento de sentimentos raiva, rejeição e conformismo, atuações de superproteção e até pensamento e comportamento suicida.

Em mais de oito anos de experiência realizando grupos de família, podemos colher algumas atitudes caseiras de cuidadores que enfrentam esta situação: “Oro a Deus e faço pilates”; “Namoro bastante e como torta de chocolate”; “Dou uma volta no shopping”; “Faço um retiro na fazenda”; “Mando ele para casa do pai por um tempo”; “Divido o cuidado com minhas irmãs”; “Tenho um psicólogo para mim”; “Faço acupuntura”; “Mando ele calar a boca e me deixar em paz por umas horas” – Entre outras.

Algumas atitudes podem ajudar no processo de lidar com o paciente:

  • Não confrontar o delírio e a agressividade
  • Postura acolhedora, porém firme nas recaídas das drogas
  • Monitorizar os sintomas sinalizadores de crise bipolar
  • Vigilância das medidas na Anorexia
  • Aprender a identificar atuações emocionais que reforçam comportamentos inadequados
  • Consultar o psiquiatra mesmo sem a presença do paciente

Ainda assim, a informação especializada e condução por algum terapeuta pode tornar a atitude do cuidador cuidar de si mesmo mais eficiente, pois sem isso acabaremos por ter duas pessoas a serem cuidadas, e não apenas uma.

Fonte: http://holiste.com.br/noticias/cuidando-do cuidador/#sthash.8Hlkg8YE.ubd9SXFP.dpuf

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Destaques

Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA seleciona candidatos para o trabalho voluntário que estão disponíveis para doar seu talento, tempo e trabalho para a prestação do serviço voluntário ao próximo. Não há necessidade de experiência em lidar com os familiares e as pessoas com transtorno bipolar e depressão, basta apenas ter a vontade e o desejo de ajudar.

Campanha “Pode Contar”

A campanha "Pode Contar", é uma iniciativa do Laboratório Sanofi-Medley, com o apoio da ABRATA, que visa ajudar, com empatia, pessoas que lhe sejam próximas e colaborando para o enfrentamento da depressão. É também um canal de ajuda para quem apresenta depressão, fornecendo informações sobre os sintomas, causas, como lidar, e acima de tudo: como fazer para pedir ajuda e não se "sentir sozinho".

Campanha “Depressão Bipolar, está na hora de falar sobre isso”

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

2018-02-02T17:13:06+00:00 18 de setembro de 2016|Categorias: Blog, Sem categoria|16 Comentários

16 Comentários

  1. Anita 19 de setembro de 2016 às 02:58 - Responder

    Me casei há 11 meses (nos conhecemos há 14 meses, sim, casamos em pouquíssimo tempo). Meu marido foi diagnosticado com bipolaridade há 8 anos e há 6 não tinha nenhuma crise. Sempre foi super regrado com a medicação e a psicoterapia! De 4 meses para cá começou a apresentar um desânimo e uma irritabilidade que nunca havia presenciado! E,infelizmente, hoje apresentou uma crise. Ele estava em uso de uma medicação para a depressão que não estava trazendo bons resultados… Me vi desesperada, sem saber como agir. Por sorte estávamos na recepção do hospital, já que o levei pois estava hipertenso! Graças a Deus encontramos pelo caminho um psiquiatra que me pareceu muito bacana! Foi assustador ver o homem que escolhi pra me proteger estar tão vulnerável, fora de controle, desorientado. Agora estou tentando acalmar meu coração. Perguntas não me saem da cabeça… como é difícil!

    • Equipe Abrata 12 de fevereiro de 2017 às 10:26 - Responder

      Cara Anita.

      Seguem algumas dicas para ajudá-la:

      – Preocupe-se com a sua própria saúde mental. Cuidar de um ente querido com transtorno bipolar pode causar estresse e sintomas de depressão. Lembre-se de que só é possível ajudar alguém se você mesmo estiver em dia com sua saúde física e mental. Esteja alerta para seus próprios comportamentos e sentimentos a respeito de seu ente querido.
      – Abra mão do controle. É importante entender e lembrar (mentalmente ou em voz alta) que você não pode controlar o comportamento de seu parente. Ele tem um problema que você não pode resolver.
      – Mude a atenção para suas necessidades. Por exemplo, você poderia fazer uma lista de seus objetivos pessoais e começar a trabalhar para alcançá-los.
      – Use recursos de autopreservação. Recursos de autopreservação são modos específicos de lidar com um determinado problema e são vitais para o cuidado pessoal; eles podem incluir atividades que você goste como ler, escrever, arte, música, atividades fora de casa, exercícios ou esportes. Atividades terapêuticas também ajudam, como técnicas de relaxamento (como o relaxamento muscular progressivo), meditação, ter um diário, praticar a atenção plena e arte terapia. Outra maneira é se distanciar de situações estressantes quando elas surgirem.
      – Considere ajuda profissional. Pode ser benéfico fazer terapia caso lidar com o transtorno bipolar de seu ente querido esteja difícil. Há evidências de que fazer terapia familiar e não apenas se informar (especialmente pais e cuidadores) pode ajudar a conviver com uma pessoa com esse transtorno.
      – Leia o livro GUIA PARA CUIDADORES DE PESSOA COM TRANSTORNO BIPOLAR, que você pode baixá-lo gratuitamente no site:
      http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx

      Um grande abraço.
      Equipe ABRATA.

  2. Ricardo 19 de outubro de 2016 às 11:24 - Responder

    Convivo com uma esposa que tem transtorno bipolar. Não foi diagnosticada , mas tratada por psiquiatra com antidepressivos e segue com a medicação.Convivendo há pelo menos dez anos com isso, foi no blog da ABRATA que “diagnostiquei” o transtorno. Os sintomas relatados: Não aceitar doença – Não prosseguir com tratamento – negligenciar medicação – picos de mania e onipotência – irritabilidade – uma “caixa de surpresas” pois nunca sabemos quem vamos encontrar em casa. Esses sintomas me fizeram constatar o transtorno em minha mulher.
    Tudo ficou mais claro. Era difícil antes separar o que eram “crises conjugais e brigas de casal” daquilo que é patológico do cônjuge. Me ajudou a clarear muita coisa. Busquei apoio psiquiátrico para mim.
    Temos filhas: uma na adolescência outra na pré-adolescência. À medida que crescem as relações com a mãe ficam mais complexas e percebo , com isso, que o transtorno da mãe passa a afetar as suas relações com as filhas e, com isso, elas começam a sofrer (porém não possuem o entendimento que hoje tenho).
    Recentemente a filha mais nova , de 8 anos, apresentou sintomas desse sofrimento e tivemos que levá-la ao psicologo . Já se percebeu muito da influência da mãe nos problemas, tanto que foi sugerido a mãe a busca de terapia psicológica – que ela esta fazendo.
    O problema, ao que vejo, e acompanho sua evolução, é que ela não se apresentou como uma “paciente de transtorno bipolar – até porque não se admite e nem se enxerga dessa forma – (e acredito a psicologa também não percebe) . Os problemas em casa seguem, e alguns se agravaram, pois ela agora usa a psicóloga como “base profissional” para sustentar suas atitudes dentro de casa (irritabilidade, empoderamento, descaso com sentimentos do outros, estado constante de vitimação e supervalorização de fatos banais do cotidiano – que levam a brigas com ela e as filhas
    e um pouco ainda comigo – que diante do entendimento das “fases” do transtorno, evito bater de frente.
    Porém isso cansa. Não sei se deu para entender, mas o que quero saber é se tenho como abordar o psicologo, sem a minha mulher, e relatar a ele nossa rotina familiar. É possivel? Ou melhor é etico? Correto? Ou pode parecer que estou usando o profissional para me queixar de minha esposa como fosse uma ” fofoca”.
    Não sei o que fazer. Estamos cansados e sinto que ela trata no consultório uma pessoa que não existe no seu cotidiano.
    Obrigado.

    • Equipe Abrata 9 de fevereiro de 2017 às 10:21 - Responder

      Prezado Ricardo.

      Não enxergamos problema algum em conversar com o psicólogo de sua esposa. Aliás, a participação dos familiares no acompanhamento
      do tratamento se configura num papel fundamental para a estabilização do ente querido.
      Por outro lado, entenda que o tratamento consiste na combinação do tratamento medicamentoso com a psicoterapia.
      Sua esposa segue à risca o tratamento indicado por psiquiatra?
      É necessário que o paciente faça a adesão ao tratamento, a fim de obter os seguintes resultados:
      – Redução das chances de recorrência de crises;
      – Controle da evolução do transtorno;
      – Redução da chance de suicídio;
      – Redução da intensidade de eventuais episódios;
      – Obtenção de uma vida mais saudável.

      Você já encontrou estratégias de convivência com a sua esposa. Realçamos que é necessário destacar que a situação dos doentes
      é bastante delicada, pois trata-se de um problema muito específico, no qual o paciente não se encontra em completo juízo. Assim,
      é importante que a família receba informações adequadas dos profissionais que acompanham o ente querido.

      A título de sugestão, leia o livro GUIA PARA CUIDADORES DE PESSOA COM TRANSTORNO BIPOLAR, que você pode baixar no endereço:
      http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx.

      Um forte abraço.
      Equipe ABRATA.

  3. Bruno 21 de outubro de 2016 às 09:19 - Responder

    Meu nome é Bruno. Sou casado com Maria e temos duas filhas .

    A Maria, há nove anos , teve um episódio que foi tratado como “depressão”. Desde então passou a utilizar a medicação LEXAPRO. Seguiu em terapia com psiquiatra por mais de ano, mas depois abandonou.

    O profissional então me chamou e disse que ela se recusava a aprofundar-se no tratamento e que não poderia obrigá-la, mas que deveria seguir com a medicação para “sempre”, já que se recusava a mergulhar na terapia.

    Desde então são nove anos de situações difíceis em casa. Negligência na tomada da medicação, irritabilidade excessiva, controladora extremada além de lutar com a balança (efeito sanfona – que lhe causa insatisfação e baixa autoestima) e a tendência a excesso de gastos financeiros.

    Foi muito difícil para mim, como marido, separar o que eram problemas de relacionamento do casal (que SEMPRE envolve ambos) daquilo que seria “patologia” da minha mulher, pois os conflitos são constantes convivendo com alguém como ela .

    Busquei apoio psiquiátrico para mim e hoje faço terapia “de apoio”.

    Constatei que minha esposa sofre de transtorno bipolar, constatei isso pela vivência cotidiana , através da minha terapia e por ler bastante sobre o assunto: o difícil diagnóstico e a também difícil relação dos familiares com um paciente com esse perfil.

    A Maria não aceita a doença (sintoma tipico do paciente bipolar) . Tem fases de “depressão” (porém não uma depressão clássica – que te joga na cama e te deixa sem vontade de viver – ) mas traduzida em desequilíbrio de peso, insatisfação, ansiedade e gastos financeiros. irritabilidade, controladoria excessiva, agressão e sentimento de onipotência .

    Depois que entendi o diagnóstico a minha vida melhorou, pois aprendi a reconhecer essas fases e agir de forma adequada, embora viva em ambiente de estresse. Nunca se sabe que Maria vai ser encontrada em casa ao final de um dia de trabalho.

    Em comparação, eu diria que é como uma pessoa alcoólatra: quando está sã, não admite que sofre da doença .

    Porém, percebo que à medida que nossas filhas cresceram : uma tem 9 e outra 15, as relações entre elas e a mãe também se tornaram mais complexas, por óbvio, as meninas começam a exibir a personalidade própria e o inicio de sua independência. Agora o problema que antes atingia o meu casamento (marido-mulher) passou a ser ampliado para as meninas (relação mãe-filha) e com graves enfrentamentos quase diários.

    Tenho certeza, hoje, que esta é uma das principais razões que levaram a nossa filha de 9 anos a necessidade de apoio psicológico. Minhas filhas têm uma mãe bipolar e não sabem (como eu, um adulto, não sabia por muitos anos) como lidar com isso. Estão sofrendo.

    Assistindo a relação da família se deteriorar, sinto que preciso a abordar o profissional que faz a terapia , que somente lhe prescreve a medicação, pois acredito que a Maria se apresenta para terapia, mas não informa seu histórico clinico, até porque não se vê como doente .

    Não sei se é uma atitude ética o que estou fazendo, e nem se é possível essa abordagem, mas estou vendo a necessidade de minha família.

    Quero ajudar a Maria, amo minha mulher, ela merece uma vida feliz e nossa família também, mas precisará fazer a sua parte corretamente e não pela metade..

    • Equipe Abrata 8 de fevereiro de 2017 às 19:38 - Responder

      Prezado Bruno.

      Felizmente você é um familiar interessado no restabelecimento de sua esposa e na paz em seu lar.
      Você se sente impulsionado a conversar com o profissional que cuida do aspecto psicológico de sua esposa. Faça-o, é seu direito.
      Não entendemos, no entanto, se tal profissional é o psiquiatra ou o psicólogo, ainda porque somente o psiquiatra pode fazer o
      diagnóstico apropriado e indicar o tratamento adequado.

      O transtorno bipolar pode causar um grande impacto na rotina e no funcionamento da família. Por isso é fundamental que todos
      estejam envolvidos no tratamento, conhecendo a doença, a medicação e os efeitos na rotina do paciente. Com informações suficientes,
      os familiares poderão ajudar num tratamento adequado, evitando recaídas e alcançando melhores resultados, inclusive com um
      ambiente menos estressante.
      Algumas dicas para a família:
      – Tratar o assunto com naturalidade;
      – Encorajar o ente querido a manter a continuidade do tratamento;
      -Incentivar a adoção de um estilo de vida saudável;
      – Ajudar a perceber o que desencadeia o problema;
      – Lembrar de tomar a medicação.

      Muita força e alegria!
      Um abraço.
      Equipe ABRATA.

  4. Vania 2 de dezembro de 2016 às 20:08 - Responder

    Boa noite, meu marido é bipolar e está internado, queria muito conversar com esposas na mesma situação.

    • Equipe Abrata 21 de janeiro de 2017 às 17:15 - Responder

      Prezada Vania

      Se vc reside em SP, aproveitamos a oportunidade e lhe convidamos para participar do Grupo de Apoio Mútuo aos familiares. Traga a esposo também. Oferecemos grupos para as pessoas com bipolaridades. São grupos separados. Eles acontecem na terça, quinta e sábado. Faça a sua inscrição, primeiro para o Grupo de Acolhimento pelo telefone (11) 3256-4831 de 2ª a 6ª feira das, 13h30 às 17h.
      Os Grupos de Apoio Mútuo para familiares – são grupos constituídos por familiares de pessoas com depressão e bipolaridade, cuja finalidade fundamental é trocar experiências, compartilhar vivências, buscar soluções e se ajudar de forma solidária, por meio de suporte, apoio e conforto uns aos outros. Nestes grupos vc encontrará esposas e demais familiares de pessoas diagnosticadas com bipolaridade.
      A ABRATA não compartilha contatos de pessoas que frequentam a associação, preservamos o sigilo e confidencialidade.
      No site vc também poderá baixar o livro em PDF – Guia para cuidadores de pessoas com transtorno bipolar. Além de informações sobre a doença e traz muitas dicas sobre como lidar com o portador em diversas situações. Link: http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx
      Leia também o artigo, DESCOBRI QUE MEU COMPANHEIRO(A) É BIPOLAR… E AGORA?. Muito interessante! Link: http://www.abrata.org.br/site2018/?p=1757#
      Abraços
      Equipe ABRATA

  5. Alessandra 9 de dezembro de 2016 às 17:10 - Responder

    A maior preocupação é :
    Quem irá cuidar do “doente”quando o cuidador morrer?
    Este “doente”pode agredir e ficar violento com seu cuidador?
    È possível obter pensão pelo INSS para o doente que não consegue se relacionar com os colegas de trabalho ( por agressão )?

    • Equipe Abrata 5 de fevereiro de 2017 às 19:44 - Responder

      Olá Alessandra.

      Muito embora a sua preocupação seja legítima e pertinente, não sofra por antecipação. O importante é cuidar-se bem também!!!
      Bem, quanto à agressão, não está afastada a hipótese se faz parte dos sintomas da doença ser agressivo. Caso contrário, é
      pouco provável que isso aconteça.
      A pensão do INSS é outorgada através do auxílio-doença, após a entrevista com os médicos peritos. E depende de alguns fatores,
      tipo:
      – duração das crises;
      – imobilidade;
      – outras doenças (comorbidades).

      Abs.
      Equipe ABRATA.

  6. Tania 13 de janeiro de 2017 às 16:09 - Responder

    O que é “postura acolhedora mais firme nas recaídas”? Existe tão pouco material de apoio ao familiar. Acho muito dicas de como ajudar a identificar e estar presente mas quando tudo isso já passou? Quando as internações não tem efeito e as recaídas são constantes? Quando apesar de usar todos os recursos à disposição a pessoa ainda assim não conseguir ver saída e não faz questão da sua ajuda? Quando então você sabe a hora de desistir e seguir em frente ou o que pode fazer mais? Ate quando você pode ir para ajudar uma pessoa sem ser levada por ela?
    Pesquiso e entendo bastante sobre a doença e suas comorbidades mas já estou ficando sem esperanças, é como uma causa perdida.

    • Equipe Abrata 1 de fevereiro de 2017 às 12:25 - Responder

      Olá Tania.
      Hoje em dia estamos comemorando a enorme vitória em verificar que cada vez mais os familiares estão envolvidos com seus entes queridos.
      Isso tem acontecido em nossos grupos de apoio mútuo, onde os familiares e amigos nos procuram com o objetivo de se ajudarem e de
      ajudarem as pessoas com transtorno bipolar e depressão.
      Respondemos ao seu questionamento postando um artigo publicado no Blog da ABRATA:

      Confira abaixo outras 10 dicas que separamos para você saber lidar com o TB:

      Apoie o paciente em momentos difíceis. Mantenha os medicamentos na dose certa e no horário prescrito;
      Seja firme e tenha paciência. Isso porque o relacionamento com o paciente em euforia pode ser desgastante;
      Detecte com o paciente os primeiros sinais de uma recaída; se ele considerar como intromissão, afirme que seu papel é auxiliá-lo;
      Fale com o médico em caso de suspeita de ideias de suicídio e desesperança;
      Estabeleça regras de proteção durante fases de normalidade do humor, como retenção de cheques e cartões de crédito em fase de mania;
      Auxilie a manter boa higiene de sono e programe atividades antecipadamente.
      Não exija demais do paciente e não o superproteja; auxilie-o a fazer algumas atividades, quando necessário;
      Evite demonstrar sinais de preconceito que favoreçam ao abandono do tratamento;
      Aproveite períodos de equilíbrio para diferenciar depressão e euforia de sentimentos normais de tristeza e alegria;
      Participe de terapias familiares em grupo, conjugal e orientações psicoeducacionais.
      E como você gosta de estar informada, leia este artigo:

      ENTENDENDO O TRANSTORNO BIPOLAR.

      Ter um parente com transtorno bipolar pode ser desafiador e requer paciência e compaixão. Para lidar com essa situação, é importante apoiá-lo, cuidar de si mesmo emocional e fisicamente e informar-se sobre o assunto.

      Apoiando seu entre querido.

      Entenda que alguns dos comportamentos de seu parente ocorrem por causa do transtorno. Por exemplo, alguém que fala sem parar sobre si mesmo de modo egoísta ou com orgulho demasiado pode parecer arrogante ou autocentrado; em pessoas com transtorno bipolar isso é um sinal de mania[1], assim como comportamentos igualmente desagradáveis. Reconhecer que isso é um sintoma da doença e não um comportamento voluntário ajuda a entender essa condição, mas cuidado para não associar todos os humores dele com a doença – pessoas com transtorno bipolar podem ficar bravas ou tristes naturalmente também.
      Um jeito de entender a doença e apoiar seu parente é perguntar como ele se sente sobre isso. Seja discreto e perceba se ele se sente confortável para falar a respeito antes de iniciar a conversa. Você pode simplesmente perguntar como ele está e obter alguma informação sobre o que está acontecendo, caso falar sobre a doença diretamente seja invasivo demais.

      Ampare-o com o tratamento. Como o transtorno bipolar é tratado com remédios e terapia, é fundamental apoiá-lo com isso; um jeito de se envolver é participar da psicoterapia com ele. Terapia familiar pode ser uma ótima maneira para auxiliar quem tem o transtorno.
      Fale com o médico de seu parente. Você pode comunicá-lo de possíveis preocupações ou problemas que surgirem se o seu parente assinar um termo de consentimento; o médico também poderá informá-lo sobre como ajudar seu ente querido.
      Caso a pessoa não esteja fazendo nenhum tratamento, você pode incentivá-la ou ajudá-la a conseguir um. Você pode procurar por psicólogos ou psiquiatras especializados em transtorno bipolar em sua região, mas tome cuidado para não forçar o tratamento se o seu parente estiver relutante (a não ser que ele precise de intervenção urgente por representar algum tipo de risco); isso pode assustá-lo e prejudicar a relação de vocês.
      Imagem intitulada Deal with a Bipolar Family Member Step 33
      Ajude a monitorar a medicação. É comum que pessoas com transtorno bipolar não queiram tomar os remédios por se sentirem bem durante os episódios de mania. A primeira coisa a fazer se perceber que ele parou de tomar os remédios é informar o psiquiatra ou clínico geral o mais rápido possível. Provavelmente o médico conversará com ele e o manterá informado sobre como proceder. Você também pode encorajar seu parente a tomar os remédios se não for possível falar com o psiquiatra; incentive-o com recompensas como pequenos presentes, ou fazer algo que ele goste muito em troca.
      Imagem intitulada Deal with a Bipolar Family Member Step 44
      Ajude em episódios de mania ou hipomania.[2] É de suma importância que você impeça seu parente de se envolver em atividades potencialmente prejudiciais se notar que ele está passando por uma crise.
      Use de negociação para diminuir os comportamentos perigosos (como apostar, gastar dinheiro descontroladamente, abusar de substâncias, dirigir perigosamente, etc.).
      Afaste crianças, idosos, portadores de deficiência e outras pessoas vulneráveis para que a crise não os afete.
      Fale com o médico responsável, chame uma ambulância ou ligue para o CVV caso ele represente uma ameaça para si mesmo ou para os outros.
      Imagem intitulada Deal with a Bipolar Family Member Step 55
      Prepare-se para as crises. É importante ter um plano de ação para controlar a evolução de uma crise. Tenha em mãos o contato de familiares próximos que possam ajudar, o número do médico responsável e endereços de hospitais. Não guarde essas informações apenas em seu celular, pois a bateria pode acabar – tenha os números anotados em papel e com você o tempo todo, como na bolsa ou na carteira. Dê uma cópia para seu ente querido; vocês podem até elaborar este plano juntos quando ele estiver emocionalmente lúcido.

      Ajude seu parente a evitar fatores precipitantes. Fator precipitante é um comportamento ou situação que pode aumentar a probabilidade de um resultado negativo – neste caso, um episódio hipomaníaco, maníaco ou depressivo. Fatores comuns são substâncias como cafeína, álcool ou outras drogas,[3] emoções negativas como estresse, dieta desequilibrada, sono irregular (dormir pouco ou em excesso) e conflitos pessoais. Seu ente querido deve ter gatilhos próprios, você pode ajudá-lo afastando-o deles ou auxiliando a priorizar responsabilidades para reduzir o estresse.
      Críticas e pessoas críticas são fatores precipitantes comuns para a bipolaridade.
      Caso vivam juntos, você pode retirar substâncias como álcool de dentro de casa. Você também pode criar um ambiente relaxante controlando a intensidade da luz, música e níveis de energia pessoal.

      Pratique a compaixão. Quanto mais você aprender sobre o transtorno bipolar, mais compreensivo e acolhedor será. Lidar com um transtorno como esse pode ser um desafio, mas com atenção e boa vontade você poderá apoiar seu parente com sucesso.
      Um jeito de deixar claro que se importa é mostrar que você está com ele para o que der e vier e quer estar presente no processo de recuperação; ofereça-se para ouví-lo se ele quiser conversar sobre a doença.

      E uma sugestão final: cuide-se também … a prática da meditação tem auxiliado muitas pessoas a terem mais paciência e foco. Se perceber
      algum estado mais patológico, consulte um profissional.
      Abraços.
      Equipe ABRATA.

  7. Vania 9 de fevereiro de 2017 às 14:16 - Responder

    Boa tarde. Meu esposo tem TB e começou com um psicólogo na crise de surto psicótico, falei com a profissional que ele não estava bem, e ela quis apenas falar com ele, uma semana depois ele foi internado e avisei a ela sobre o ocorrido. Hoje ela dá mais abertura para eu falar, tanto que tenho uma consulta com ela semana que vem. Tem que participar SIM.

    • Equipe Abrata 10 de fevereiro de 2017 às 10:45 - Responder

      Olá Vania.

      Você sabe que o transtorno bipolar deve ser acompanhado por médico psiquiatra para ministrar a medicação adequada.
      Fazer terapia é uma boa solução, tanto para o seu marido, como para você.
      Ótimo que você participa de perto do tratamento. O apoio da família é fundamental, disso você já sabe.

      Abs.
      Equipe ABRATA.

  8. Martins 14 de novembro de 2017 às 00:23 - Responder

    A mãe do meu namorado foi diagnosticada há 21 anos, ele tinha apenas 4 anos, o pai dele e o pai dela eram os cuidadores principais, mas o pai dele faleceu ha 8 anos, e o avô há 7. Depois disso, a avó e a tia do meu namorado o auxiliaram nos cuidados com a mãe, mas nunca se responsabilizaram com nada de fato, a avó já esta muito idosa e a tia tem a vida dela. Estamos juntos há 2 anos e meio, e nesse período vi a mãe dele piorar significativamente, ela não aceita o tratamento com psiquiatra e nenhum tipo de terapia, mas faz uso de medicamentos há muitos anos, tem dias em que ela não aceita e tem dias q ela mesma se lembra de tomar, e quando ele consegue fazê-la etomar os medicamentos direitinho é possível perceber uma pequena melhora, mas nada muito significativo. Já teve vários episódios de suicídios não finalizados, nesses 2 anos e meio, eu já presenciei 3 tentativas. Morei com eles durante nove meses, mas não aguentei, vejo de perto tudo o que acontece. Ela tem pouquíssimos momentos de lucidez, delira praticamente o tempo todo, oscila varias vezes durante o dia, parece estar em uma crise constante… O maior problema é que vejo meu namorado totalmente perdido, ela precisa de cuidados 24h por dia, ela não dorme e não deixa ele dormir, ele não consegue estudar, não consegue trabalhar porque sempre que ele sai de casa acontece algum problema. Ele está no que o texto chama de conformismo, a vida dele está literalmente parada, e ele também se culpa, acha que ela piorou porque ele não consegue cuidar dela direito… Além de tudo isso, ela fuma muitos cigarros, cerca de 3/4 maços por dia, e bebe muito café, muito mesmo, e também bebe muita água, na verdade essas são as únicas coisas que ela faz, a maior parte do tempo dela é ocioso, passa todos os dias sentada numa mesa fumando, bebendo café e falando coisas delirantes, sempre relacionadas a dinheiro e religião. Ela só anda marchando, até quando esta parada ela marcha, e tem muitos tremores também. Ela tem muitos momentos de agressividade, principalmente quando quer pegar o cartão de crédito ou sair sozinha e ele não deixa. Tenho muito medo dela fazer alguma maldade com ele, comigo, com o animal de estimação dele, com a senhora que trabalha lá ou com qualquer outra pessoa. Ninguém da família sabe mais o que fazer, não dá pra saber o que é melhor. Tento ajudá-los, mas não sei como, é muito difícil lidar com toda essa situação. Queria principalmente ajudar meu namorado a tocar a vida dele, a cuidar da sua saúde física e mental.

    • Equipe Abrata 14 de novembro de 2017 às 10:08 - Responder

      Olá Martins.

      A senhora a que você faz referência deveria estar sendo medicada com remédios apropriados . Transtorno mental é coisa séria e que necessita de
      acompanhamento médico constante, especialmente para atualizar a medicação e a respectiva dose.
      É importante que ela seja convencida a procurar ajuda profissional. O transtorno bipolar provoca alterações no humor, que vão da depressão para
      a mania/euforia.
      A não adesão ao tratamento medicamentoso pode provocar recorrência dos episódios, aumenta a sua intensidade e aumenta, ainda, o risco de suicídio.
      Lembramos que uma pessoa descompensada, que apresenta comportamentos limítrofes que geram situações de auto e héteroagressão, planejamento de
      autoextermínio e estado depressivo grave, necessitam de atendimento emergencial com possibilidade de internação para diminuição da crise e
      estabilização do humor.

      Um abraço
      Equipe ABRATA

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