Como ajudar quem você ama a lidar com a mania

apoioMuitas vezes a mania aparece como sendo o “patinho feio” da dupla mania e depressão. Enquanto a depressão é o centro das atenções, a mania fica ali, jogada para escanteio. Mas se alguma vez você já viu uma pessoa querida (ou até a si mesmo) durante um episódio de mania, deve saber bem que de passivo, quieto e manso, esse patinho não tem nada.

Faz oito anos que fui diagnosticada com transtorno bipolar. Passei por vários episódios de mania e depressão nesta época. E, para mim, a mania é de longe muito pior. Vivenciei cada sintoma da mania, um por um: falta de controle da impulsividade, gastança de dinheiro, hipersexualidade, pensamentos acelerados, insônia, criatividade, produtividade e grandiosidade. Na mania você se sente bem, mas ela não é boa para você. A pior parte são os gastos. Nestes os oito anos gastei em torno de US$ 30 mil dólares (aproximadamente R$100 mil reais) nos cartões de crédito e ainda estou pagando por isso. Como você pode imaginar, a incapacidade de controlar os impulsos, os gastos excessivos e a hipersexualidade podem levar a grandes estragos na vida de uma pessoa.

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Bom, então como você pode ajudar/apoiar alguém que você ama? Aqui vão algumas perguntas concretas e tarefas que você pode fazer.

Pergunte se ela está se alimentando. Pessoas em mania normalmente não se alimentam ou comem menos do que normalmente comeriam. Eles ficam muito distraídos com seus pensamentos acelerados ou com o mundo à sua volta para se alimentarem como devem. Então, passe um tempo com seu ente querido, especialmente durante as refeições. Boas perguntas a se fazer podem ser: Você comeu hoje? Quantas vezes? Você quer ir comer alguma coisa comigo agora?

Pergunte sobre seu sono. A falta de sono é um grande gatilho para a mania; não dormir o suficiente pode induzir a um episódio maníaco. A mania pode produzir um estado de produtividade elevada. Pessoas em mania sentem uma diminuição da necessidade de dormir, uma vez que a mania interfere com todos os planos produtivos que têm na cabeça. Algumas pessoas em mania dormem menos de duas horas por noite ou não nem dormem. Boas perguntas a fazer seriam: você dormiu afinal? Por quantas horas? Ou ainda: por que você não pede ao seu médico para prescrever algo para auxiliá-lo a dormir?

Ajude-a a lidar com suas emoções. Aqueles que sofrem de transtorno bipolar, quando não estão estáveis, normalmente oscilam entre os dois polos depressão e mania; daí o termo bipolar. Frequentemente, a mania pode levar à euforia tão facilmente quanto à irritabilidade ou à hipersensibilidade. Assim, boas perguntas a se fazer podem ser: Como você está se sentindo? Você está irritado(a), animado(a), distraído(a), agitado(a)? O que você pode fazer para lidar com todas as emoções que você está vivenciando? Você já tentou respirar profundamente para se concentrar e se acalmar?

Pergunte sobre sua impulsividade. A falta de controle sobre a impulsividade pode muitas vezes levar a resultados desastrosos, como largar um emprego, ter um caso extraconjugal, tirar férias extravagantes ou gastar dinheiro descontroladamente. Boas perguntas poderiam ser: Quanto dinheiro você tem gastado? Posso ficar o seu cartão de crédito? Você tem tido relações sexuais seguras?

Certifique-se que ela está atenta aos cuidados pessoais. Desenvolver maneiras para lidar com a própria condição é crucial tanto em momentos de crise como em tempos de estabilidade. Para manter o controle sobre a mania, é importante que a pessoa permaneça atenta e cuidadosa consigo mesma. Perguntas interessantes podem ser: Quais têm sido os seus cuidados pessoais no dia a dia? Você tem se exercitado para aproveitar um pouco da sua energia eufórica? Você tem meditado para acalmar os seus pensamentos acelerados? Você tem se lembrado dos seus cuidados básicos, como tomar banho, escovar os dentes, lavar os cabelos, vestir roupas limpas etc.?

 Autora: Krystal Reddick

Fonte: http://ibpf.org/blog/how-support-loved-one-dealing-mania.

Tradução livre/ABRATA.

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2018-02-02T17:11:39+00:00 24 de agosto de 2016|Categorias: apoio ao tratamento, Bipolar, Blog, Comportamento, Depressão, Mania, Sofrimento|Tags: , , , |2 Comentários

2 Comentários

  1. Eqvania Vidal 4 de março de 2017 às 21:27 - Responder

    Olá. Estou passando por um momento muito difícil, meu marido encontra se pela segunda vez em crise. Na primeira, há dois ou três anos atrás teve da agitação a depressão momentos de delírios e alucinações. Agora que planejamos ter um filho e assim que o nosso filho nasceu ficou paralisado, já estava muito ansioso.Mas depois de quatro dias passados, chegou à convicção que o filho não se parecia com ele.Desde aí mudou totalmente o comportamento, parece ter outra personalidade, sem sentimentos e sem emoção. Já tentamos conversar, mas não quer contato de ninguém, nem conselhos. Se fechou,não foi mais trabalhar e só fica dentro de casa. Não quer ir ao médico porque acha que está bem. Como posso agir com ele? Por quanto tempo dura uma crise em um bipolar? A primeira que teve durou dois meses. Será que vai voltar ao normal tomando apenas 1mg de respiridona?

    • Equipe Abrata 5 de março de 2017 às 08:55 - Responder

      Cara Eqvania.

      É importante deixar claro que um tratamento bem-sucedido deve considerar a colaboração de todas as partes envolvidas: psicoterapeuta, psiquiatra, o próprio paciente e a família/amigos. Ou seja, apenas o tratamento medicamentoso, por exemplo, não é suficiente para um tratamento efetivo. Porém, realmente há casos em que a pessoa que apresenta sinais de depressão sequer aceita ajuda, não quer o tratamento ou mesmo ouvir um profissional. O que fazer nestes casos?

      Não existe uma fórmula mágica para lidar com esta situação, muitas vezes este processo de “convencimento” do indivíduo pode ser longo e trabalhoso.

      Embora haja algumas estratégias que podem ser adotada pelos familiares e amigos para auxiliar a pessoa a aceitar o tratamento, nem sempre essas medidas podem ser eficazes para todas as pessoas em situações semelhantes, pois cada pessoa apresenta conflitos muito particulares que merecem atenção individualizada.

      Algumas dicas são:

      Ao falar com o paciente, é necessário manter a paciência e a empatia e demonstrar acolhimento, além de deixar claro que ele é compreendido – é interessante mostrar que você entende que os problemas enfrentados por ele não são fáceis, demonstrar que, assim como ele, você enfrenta ou já enfrentou momentos difíceis – Ele precisa sentir que não está sozinho;

      Evitar dramatizar demais a situação, provocando desgastes emocionais maiores ainda – Pesquise sobre a depressão e tente identificar os sintomas apresentados pelo paciente (como irritabilidade, insônia, alterações de apetite, apatia), mostrando a ele de forma clara que estas são características da doença. Tente conversar sobre como essa doença ocorre e por que é necessário o tratamento adequado;

      Deixar claro ao paciente que você/família entende que ele apresenta uma doença e apoia o tratamento, que oferecerá o suporte necessário a ele;
      Tentar fortalecer a autoestima do paciente, reconhecendo mesmo os menores progressos, suas características positivas e habilidades;

      Entender que a capacidade de julgamento e entendimento do indivíduo sobre a sua própria situação pode estar alterada, por isso é preciso persistir, sem demonstrar raiva, irritação e sem perder a paciência, dizendo coisas como: “você nem está tentando”, “você não quer realmente ser ajudado”;

      É interessante diminuir o excesso de estímulos, como televisão, rádio, computador… (não eliminar, apenas reduzir);

      É preciso também respeitar o tempo da pessoa – Caso não haja uma situação de risco à integridade física dela ou das pessoas que com ela convivem, não force o tratamento de forma agressiva, impositiva. Apenas oriente, demonstre apoio, acolhimento, mostre-se disponível e deixe sempre claras as vantagens e a importância de buscar tratamento, mas respeite o tempo dela, às vezes é necessário que ela vivencie esta situação por um período antes de aceitar e estar aberta para aderir ao tratamento.

      Esperamos que os esclarecimentos postados a ajudem a entender a situação em que muitas pessoas com transtorno bipolar apresentam resistência ao tratamento.
      Por último, sugerimos a leitura do GUIA PARA CUIDADORES DE PESSOA COM TRANSTORNO BIPOLAR que você pode baixar gratuitamente pelo site:
      http://www.abrata.org.br/new/folder.aspx.

      Abraços.
      Equipe ABRATA.

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