A tristeza do aumento global do suicídio em jovens

A tristeza do aumento global do suicídio em jovens

O aumento do suicídio de jovens nos entristece, e mobiliza para que possamos fazer algo para conter tal desastre. Porque pessoas no início da vida tem desistido da mesma? A imagem da adolescência como um período de alegria se desfaz. O suicídio é um ato complexo, presente em todas as sociedades e por todos os tempos. Vários fatores estão implícitos na determinação do ato final.

O desejo da morte assim pode ter diferentes significados, desde aqueles que padecem de sofrimentos e dores por doenças terminais, sem perspectivas, ao ato heroico, através do qual uma pessoa abre mão de sua vida para salvar outros. Em todas as ocasiões, o momento, assim como a história de vida são importantes, além das características pessoais de personalidade, temperamento e impulsividade.

Entre os vários fatores de risco, a presença de doença mental é o mais forte preditor do suicídio. A depressão, nas suas formas unipolar e bipolar, as psicoses, as dependências de substâncias são as mais implicadas no suicídio.

Nem todos aqueles com estes quadros vão se matar. A grande maioria pensa no suicídio, e na morte (ideação suicida), um número menor planeja sua morte (planejamento suicida) e um grupo menor tenta contra a própria vida. Alguns conseguem.
O número de adolescentes que se matam tem aumentado. O aumento é real e não um artefato de estatística. O que estaria implicado nesta situação? Ainda nada se pode afirmar, mas com certeza estes jovens estão mais doentes. Existe também um aumento da prevalência de doença mental e de uso de drogas. Podemos inferir que existe um maior acesso as drogas e ao álcool, substâncias sabidamente maléficas, para um organismo e uma mente em formação. Ainda a falta de capacidade de inibir seus impulsos, característica da faixa etária, quando as regiões cerebrais, relacionadas a esta inibição estão se desenvolvimento, pode ser potencializada, por uma falta de limites, que deveria ser ensinado através de suas famílias, escolas e comunidade.

Com certeza estes fatores estão ligados ao aumento de suicídio em jovens que foram criados sem limites, sem aprendizado da tolerância a frustração, inábeis para lidar com as dificuldades da vida em sociedade, onde a realidade é bem mais dura que a realidade cor de rosa, de algumas casas e colégios. Fatores de risco para a doença mental, dependência e suicídio. Tudo isto são especulações, que devem ser pesquisados. De qualquer maneira precisamos pensar, estudar e antes de tudo agir para reverter a tristeza de vermos nossos jovens morrerem desta forma.

joven suicidio

Autor: Dr Marcelo Feijó de Mello: Médico psiquiatra,  professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP.  PROVE/UNIFESP

Fonte: https://www.facebook.com/prove.unifesp/posts/1226999180732299:0

« Voltar

Destaques

Livros – Depressão Bipolar um Guia Abrangente

Os autores abordam a neurobiologia e a genética, a depressão bipolar em crianças e considerações relativas a suicídio, discutindo abordagens de tratamento específicas, desde o uso do lítio e de drogas anticonvulsivantes até intervenções psicológicas, com base nas pesquisas mais atuais sobre o assunto.

Campanha Daiichi

Depressão bipolar: está na hora de falar sobre isso” é a mais nova campanha da Daiichi Sankyo, que tem o apoio da ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre a importância da depressão bipolar, doença que atinge mais de seis milhões de brasileiros e depende de melhor diagnóstico e tratamento adequado.

Seja um Voluntário ABRATA

A ABRATA seleciona candidatos para o trabalho voluntário que estão disponíveis para doar seu talento, tempo e trabalho para a prestação do serviço voluntário ao próximo. Não há necessidade de experiência em lidar com os familiares e as pessoas com transtorno bipolar e depressão, basta apenas ter a vontade e o desejo de ajudar.

Deixe o seu comentário